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Colesterol alto
(Hipercolesterolemia)
Introdução
O colesterol é um
composto a base de gordura que naturalmente faz parte de nosso corpo. Ele
executa várias funções vitais importantes. O colesterol é necessário na
estrutura das paredes que cercam as células do corpo e é a matéria-prima
que é convertida em certos hormônios. O corpo produz todo o colesterol que
o organismo precisa. O ser humano precisa só de uma pequena quantidade de
gordura na dieta para produzir colesterol suficiente para a pessoa ser
saudável.
A gordura e o
colesterol que a pessoa come são absorvidos no intestino e são
transportados ao fígado. A gordura é convertida no fígado em colesterol, e
é liberado na corrente sangüínea. Há dois tipos principais de
colesterol: a lipoproteína de baixa-densidade (LDL colesterol – o "colesterol
ruim") e a lipoproteína de alta densidade (HDL colesterol - o "colesterol
bom").
Níveis altos de
LDL colesterol estão associados à aterosclerose que é o acúmulo depósitos
gordurosos ricos em colesterol nas paredes das artérias. Isto pode
estreitar ou entupir as artérias, reduzindo a velocidade ou interrompendo o
fluxo de sangue aos órgãos vitais, especialmente o coração e o cérebro.
A aterosclerose que afeta o coração é chamada de doença das artérias
coronárias, e pode causar infarto do
miocárdio (ataque cardíaco). Quando a aterosclerose entope as artérias
que provêem sangue ao cérebro, pode causar um derrame cerebral (AVC) do tipo isquêmico.
Níveis altos de
HDL colesterol (colesterol bom) protegem o organismo contra ataques do
coração e derrame removendo o colesterol ruim das artérias e devolvendo-o
ao fígado.
Como os níveis
altos de colesterol podem causar aterosclerose, os médicos recomendam que
as pessoas mantenham seus níveis de colesterol dentro de uma faixa
específica. Veja a tabela abaixo:
|
LDL
Colesterol
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Menor que
100
|
Ótimo
|
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100 a 129
|
Próximo do
ótimo
|
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130 a 159
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Limite
superior
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160 a 189
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Alto
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190 ou maior
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Muito alto
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Colesterol
Total
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Menor que
200
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Desejável
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200 a 239
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Limite
superior
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240 ou
maior
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Alto
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HDL Colesterol
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Menos que 40
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Baixo
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Entre 40 e
60
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Ideal
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60 ou maior
|
Alto
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Triglicérides
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Para uma avaliação
mais precisa do risco da aterosclerose, a avaliação do LDL colesterol é a
mais importante. De acordo com diretrizes estabelecidas pela Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC), o nível desejável de LDL colesterol
depende se a pessoa já tem ou não uma doença causada pela aterosclerose ou
pelo diabetes; ou ainda, se tem outros fatores de risco para a doença
coronariana do coração.
Fatores de risco
para a doença coronariana incluem:
·
Ser homem e estar acima dos 45 anos de idade,
·
Ser mulher e estar acima dos 55 anos de idade,
·
Ser mulher e ter menopausa prematura,
·
Ter uma história familiar de doença coronariana
precoce (um pai ou irmão abaixo dos 55 anos de idade e mãe ou irmã abaixo
dos 65 anos com doença coronariana),
·
Ser fumante
·
Ter hipertensão (pressão alta)
·
Não ter “colesterol bom” normal (HDL acima de 40).
Se a pessoa tem doença
coronariana, diabetes, doença vascular (dos vasos) periférica ou já teve um
derrame por causa da aterosclerose, o LDL colesterol deve ser menor que
100. O ideal seria abaixo de 70.
Quanto mais fatores
de risco o paciente tem, mais baixo deve ser seu LDL colesterol. Em geral, o
nível de LDL colesterol abaixo de 100 é ideal, mas menor que 130 pode ser
aceitável para pessoas com poucos ou nenhum fator risco.
O nível de HDL
colesterol também é muito importante. Pessoas com níveis abaixo de 40 são
mais prováveis de desenvolver aterosclerose, doença do coração e derrame
cerebral. Níveis de HDL colesterol acima de 60 estão associados com menos
aterosclerose e acredita-se que ajude a proteger contra doença do coração e
derrame cerebral.
Quadro Clínico
A maioria das
pessoas com colesterol alto não têm nenhum sintoma até que a aterosclerose
relacionada ao colesterol cause estreitamento significativo das artérias
que alimentam o coração (artérias coronárias) e o cérebro (artérias
cerebrais). O resultado deste entupimento pode levar à dor torácica relacionada ao
coração (angina) ou outros
sintomas de doença coronariana; como também sintomas associados à
diminuição do suprimento de sangue para o cérebro (ataques isquêmicos transitórios ou derrame cerebral).
Uma em cada 500
pessoas pode ter uma doença genética (hereditária) chamada hipercolesterolemia familiar que pode levar a
níveis de colesterol extremamente altos (acima de 300). Pessoas com esta
desordem podem desenvolver nódulos de colesterol (xantomas) nos tendões dos
músculos, especialmente no tendão de Aquiles (na parte de trás e inferior
da perna). Depósitos de colesterol também podem aparecer nas pálpebras onde
são chamados xantelasmas.
Diagnóstico
O médico fará
perguntas para saber se alguém da família tem doença coronariana do
coração, colesterol alto ou diabetes. Ele perguntará sobre os hábitos
alimentares do paciente e se ele é fumante. Ele medirá a pressão sanguínea
e procurará xantomas e xantelasmas.
O diagnóstico de colesterol alto pode ser confirmado através de um exame de
sangue simples, que medirá o colesterol
total, o LDL e o HDL colesterol e os níveis de triglicérides.
Prevenção
Você pode ajudar a
prevenir o colesterol alto ingerindo uma dieta saudável. Isto significa
trocar as comidas com alto teor de gordura (ovos, carnes vermelhas
e gordurosas, poupa ou óleo de coco, produtos laticínios (cheddar, queijos amarelos) ou leite integral, para frutas
frescas e legumes, pão integral
– de grãos e cereais -, além de leite
semi-desnatado e produtos laticínios de baixo teor de gordura (ex. queijo
branco).
Tratamento
Pode-se tratar o
colesterol alto ingerindo uma dieta de baixo-colesterol e baixo teor de
gordura, e tomando medicamentos para abaixar o colesterol. O plano de
tratamento específico dependerá dos níveis de colesterol (inclusive de LDL
colesterol), da história de doença coronariana do coração ou dos fatores de
risco para a doença coronariana.
1. Dieta: A Sociedade Brasileira de
Cardiologia recomenda a seguinte dieta com:
·
Gordura saturada — Menos que 7% de calorias
·
Gorduras monosaturadas —
Aproximadamente 20% de calorias
·
Gorduras polisaturadas— Aproximadamente 10% de calorias
·
Proteínas — Aproximadamente 15% de calorias
·
Carboidratos — Aproximadamente 50% de calorias
·
Fibras — Aproximadamente 25 gramas por dia
·
Colesterol — Menos de 200 miligramas por dia
·
Manter um peso desejável: Deve-se ingerir somente a
quantidade de calorias que se queima por dia. Se precisar perder peso,
ingerir menos calorias do que se queima.
·
Os pacientes que não se sentirem seguros de como
seguir tal dieta podem achar útil consultar com um
profissional de cuidados médicos como um (a) nutricionista,
endocrinologista e cardiologista.
2. Medicamentos:
Há cinco tipos de medicamentos para abaixar o colesterol:
·
Resinas de Trocas
de Ácidos Biliares – Atua através da ligação com os ácidos biliares no
intestino (biles) impedindo sua reabsorção, diminuindo
pois o colesterol total e LDL colesterol, e aumentando o HDL
colesterol no sangue. Inclui a Colestiramina (Questran®), Colesterolamina (Questran Light®) e o Colestipol (Colestid®),
·
Ácido nicotínico: sua capacidade em
aumentar em até 30% o HDL quando
utilizado em doses máximas supera todos os outros medicamentos. Associado a uma estatina
é capaz de diminuir o LDL mais do que qualquer
outro remédio isoladamente, sem aumento de efeitos colaterais. Esta
combinação também reduz os triglicerídeos e
aumenta o HDL. Inclui o Hexanicotinato de Mesonisitol
® (com vit B1) e o próprio Ácido
Nicotínico (G.A.B.A. ®),
·
Fibratos: Os fibratos
aumentam a oxidação de ácidos graxos no fígado e nos
músculos. Em casos de dislipidemias mistas também
ocorre diminuição de LDL colesterol. Incluem o Gemfibrozila (Lopid®), o Fenofibrato (Lipanon®, Lipidil®), o
Benzafibrato (Cedur®), o Etofibrato (Tricerol®) e o Clofibrato (Claripex®),
·
Estatinas (também chamadas de inibidores da HMG-CoA redutase):
Estes medicamentos levam à diminuição
dos níveis de colesterol circulante retardando ou
mesmo regredindo o desenvolvimento da placa de aterosclerose, com
isto a placa se torna menos obstrutiva e com menor possibilidade de causar
infarto ou derrame cerebral. Incluem a Lovastatina
(Mevacor®), Simvastatina (Zocor®), Pravastatina (Pravacol®), Fluvastatina (Lescol®), Atorvastatina (Lipitor®), e Rosuvastatina (Crestor®). As estatinas
bloqueiam uma enzima chamada HMG-CoA
reductase que é necessária para a produção do
colesterol,
·
Inibidores
seletivos da absorção de colesterol intestinal — Há só um
medicamento disponível no mercado - o Ezetimibe (Zetia).
Se seu colesterol
não é controlado com mudanças na dieta e no estilo de vida, o médico pode
recomendar que o paciente tome um ou mais destes medicamentos. Cada tipo de
medicamento funciona de forma diferente e tem diferentes efeitos
colaterais.
Além das mudanças
na dieta e dos medicamentos, pessoas com colesterol alto devem tentar
controlar os outros fatores de risco para a doença coronariana. Isto
significa manter a pressão sanguínea em níveis normais, não fumar,
controlar seu açúcar no sangue, manter ou perder peso e praticar exercícios
regulares.
Qual médico procurar?
Geralmente os
níveis de colesterol são acompanhados por um Clínico Geral, um Endocrinologista
ou um Cardiologista. Como é
possível ter colesterol alto por muitos anos sem ter sintomas, é importante
fazer um exame de sangue para ver o nível de colesterol periodicamente.
Diretrizes atuais recomendam que adultos acima dos 20 anos de idade devem
fazer um perfil lipídio de jejum
completo a cada cinco anos. Este teste mede o colesterol total, o LDL
e o HDL colesterol e os níveis de triglicérides.
Se os números estiverem fora dos níveis desejáveis, o médico pode sugerir
que você mude sua dieta e freqüentemente monitore seu colesterol mais
freqüentemente.
Prognóstico
Combater o
colesterol alto é um esforço a longo prazo. Você pode abaixar seus níveis
de colesterol significativamente dentro de seis semanas mudando para uma
dieta com baixo teor de gorduras saturadas, grande quantidade de frutas e
legumes, e substituindo "gorduras ruins" por "gorduras
boas". As mudanças dietéticas precisam ser permanentes para manter os
níveis de colesterol mais baixos.
A efetividade de
seguir uma dieta saudável e usar medicamentos para abaixar colesterol varia
de pessoa para pessoa. Em média, a dieta e os exercícios regulares podem
abaixar o LDL colesterol em aproximadamente 10 a 15%. Os medicamentos podem
abaixar o LDL colesterol em 20 a 50%.
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