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Síndrome do Intestino Irritável - SII

 

  • Introdução
  • Quadro Clínico
  • Diagnóstico.
  • Prevenção.
  • Tratamento.
  • Qual médico procurar?
  • Prognóstico

 

Introdução

 

A síndrome do intestino irritável (SII) é um problema relativamente comum, que causa dor abdominal, geralmente em cólicas, alterações do hábito intestinal (constipação e / ou diarréia), distensão do abdome (inchaço da barriga), excesso de gases, sem que haja uma patologia orgânica demonstrável, como processos inflamatórios dos intestinos ou o câncer de cólon.

 

A SII tem sido chamada de síndrome do cólon irritável, cólon espástico, colite mucosa e doença funcional do intestino.

 

Algumas pessoas têm sintomas intermitentes (que vêm e vão), duram pouco tempo e são pouco incômodos. Porém outras têm diariamente sérios problemas do intestino causados pela SII, afetando seu desempenho no trabalho, o sono e a própria vida. Uma pessoa pode ter sintomas sérios durante várias semanas e depois pode sentir-se bem por meses ou até mesmo por anos.

 

A SII normalmente começa após os 20 anos de idade e aproximadamente 10 a 20 por cento da população sofrem com ela. No entanto, pelo menos a metade dessas pessoas nunca procuram ajuda médica para seus sintomas. A SII geralmente afeta duas a três vezes mais as mulheres que os homens.

 

No passado pensou-se que o stress poderia causar a SII. Não é esse o caso. O stress não causa SII, mas ele pode aumentar os sintomas, especialmente a dor.

 

As causas da SII não foram estabelecidas, mas alguns estudos sugerem que os nervos do cólon possam ser mais sensíveis nestes pacientes que o habitual. O movimento normal da comida e o suprimento de gás no cólon causam dor maior que o esperado, espasmos intestinais e um padrão irregular de evacuações.

 

 

Quadro Clínico

 

O quadro clínico da SII pode incluir:

 

  • Alterações do hábito intestinal: Diarréia, Constipação ou Diarréia que se alterna com constipação. Cada pessoa tende a desenvolver seu próprio padrão de funcionamento do intestino, seja predominantemente diarréia ou constipação, ou ainda, não ter uma mudança importante nas evacuações;
  • Dor abdominal: De leve a grave;
  • Desconforto ou cólicas que normalmente aliviados depois da evacuação,
  • Distensão abdominal e aumento na produção de gases ou ainda uma sensação de estar com o abdome dilatado;
  • Sensação de evacuação incompleta;
  • Muco (catarro claro ou branco) nas fezes.

 

Outras características podem ajudar a definir o diagnóstico clínico:

 

  • Piora dos sintomas durante o período menstrual,
  • Vir associada à uma doença chamada fibromialgia, à intolerância à lactose ou ainda à intolerância ao glúten,
  • Associar as crises com os períodos de stress,
  • Evolução progressiva dos sintomas,
  • Falta de apetite e perda de peso,
  • Em casos extremos, náuseas, vertigens ou desmaios,

 

Diagnóstico

 

É importante excluir doenças inflamatórias, infecciosas e vasculares dos intestinos antes de se estabelecer o diagnóstico de SII. Nenhum exame em especial pode fechar o diagnóstico definitivo de SII porque não há nenhuma mudança física mensurável que aconteça nesta doença.

 

O médico irá colher a história clínica, dando ênfase aos sintomas compatíveis com a SII. Na SII não há mudanças no exame físico.

 

Para fazer o diagnóstico diferencial (excluir outras doenças) podem ser pedidos:

 

  • Exames de sangue:
    • Hemograma completo,
    • Testes de função hepática (fígado) e renal (rins),
    • Hemocultura,
    • Parasitológico de fezes,
    • Testes de tolerância à lactose (para afastar intolerância à lactose presente no leite),
    • T3, T4 e TSH (para excluir problemas da tireóide),
    • Cálcio sérico (para afastar hiperparatireoidismo).
  • Sigmoidoscopia: É um exame no qual um tubo flexível, iluminado na ponta, com a possibilidade de fazer fotos, é inserido no reto e pode ver até a parte superior do cólon esquerdo,
  • Colonoscopia: Exame no qual um tubo mais longo examina todo o intestino grosso e o final do intestino delgado para procurar anormalidades internas,
  • Exames de Imagem:
    • Radiografias dos intestinos onde o contraste (bário) é engolido (Trânsito Intestinal) ou é bombeado no reto (Enema Opaco) para verificar dentro do trato gastrintestinal possíveis anormalidades,
    • Tomografia computadorizada: Triagem de tumores, obstrução e doença do pâncreas,
    • Ultra-sonografia da vesícula (para afastar cálculos).

 

Prevenção

 

É impossível se prevenir a SII porque ainda não se sabe o que causa esta doença. Uma vez diagnosticada, a SII pode ser tratada, reduzindo-se a freqüência e a severidade dos sintomas.

 

Tratamento

 

1. Mudanças nos hábitos alimentares: Alguns alimentos que ativam (“gatilhos”) a SII incluem:

 

  • Repolho, brócolis, couve, legumes e outras comidas produtoras de gás,
  • Cafeína,
  • Álcool,
  • Laticínios (Produtos do leite),
  • Comidas gordurosas, incluindo o leite integral, a nata, o queijo, a manteiga, óleos, carnes e abacates,
  • Frutas cruas,
  • Comidas, chicletes e bebidas que contêm sorbitol (um adoçante artificial).

 

2. Acréscimo de fibras na dieta: Especialmente se a constipação for a causa principal dos sintomas, pode ajudar a eliminar as fezes e reduzir a dor abdominal. No início, as fibras aumentarão a quantidade de gases no sistema, por isso, as fibras são acrescidas gradualmente. Frutas, legumes e pães integrais e de cereais são boas fontes de fibra na comida. Pode-se ainda usar um suplemento à base de fibras. A fibra de metilcelulose cria menos quantidade de gases, e freqüentemente é recomendada para pessoas com SII. O Psyllium também é uma boa fonte de fibra, mas pode criar mais gases no começo. Fibras sintéticas como a Poicarbofila (Muvinor®) e o Macrogol (Muvinlax®) podem ser usados com bons resultados. Têm a vantagem de produzirem menos gases.

 

3. Medicamentos: Dependendo do quão sérios forem os sintomas, o médico pode incluir medicamentos tais como:

  • Antidiarréicos:
    • Loperamida (Imosec ®),
    • Cloridrato de Difenoxilato (Lomotil ®),
  • Antiespasmódicos para reduzir as cólicas
    • Hioscina (Buscopan®),
    • Hiosciamina (Ormigren®),
    • Cloridrato de Diciclomina (Bentyl®),
  • Agentes para reduzir a dor
    • Amitriptilina (Amytril®, Tryptanol®),
  • Medicamentos Ansiolíticos:
    • Bromazepam (Lexotan®),
    • Aprazolan (Apraz®),
  • Terazerode (Zelmac ®): Este medicamento têm como objetivo atingir um ramo do sistema nervoso que envolve o trato gastrintestinal que só se ativa nas mulheres. As mulheres com constipação relacionada a SII podem tomar o Tegaserode durante um tempo limitado. Mulheres com uma história de obstrução intestinal, cálculos biliares (pedras na vesícula), insuficiência renal ou hepática graves, diarréia ativa e aderências do intestino não devem tomar o Zelmac.

 

Qual médico procurar?

 

Procure um gastroenterologista ou um cirurgião geral se você tem sangue nas fezes e se a dor abdominal é acompanhada de vômitos, vertigens ou desmaios. Se a dor abdominal ou a diarréia faz perder o sono, ou se há perda de peso ou febre inexplicados, deve-se procurar ajuda médica prontamente.

 

Prognóstico

 

Os sintomas da SII podem ser um problema diário ou os sintomas podem aparecer esporadicamente, durando um único dia, uma semana ou um mês antes de desaparecer. O tratamento pode eliminar os sintomas, e as mudanças na dieta podem ajudar a reduzir a freqüência ou a severidade dos sintomas.

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Editor: Dr. Mario César Prudente Leite