CONSULTOR MÉDICO DO HOSPITAL POLICLIN                                                                               094

 

Diabetes Mellitus Tipo 2

 

  • Introdução
  • Quadro Clínico
  • Diagnóstico.
  • Prevenção.
  • Tratamento.
  • Qual médico procurar?
  • Prognóstico

 

Introdução

 

O diabetes Mellitus tipo 2, também chamado diabetes não-insulino-dependente, é uma alteração comum que afeta o metabolismo dos açucares em nosso corpo. Indiretamente, o metabolismo das gorduras e proteínas também é afetado, pois estes nutrientes são fontes de glicose (açúcar), que é o combustível mais básico para o nosso corpo. A principal característica do diabetes é a hiperglicemia (nível alto de açúcar no sangue).

 

A glicose entra nas células do corpo com ajuda da insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas que age como se fosse um porteiro. Sem a insulina, a glicose não pode atravessar a parede da célula, e a célula fica sem “combustível”. O único órgão que não precisa da insulina para receber a glicose é o cérebro. O diabetes tipo 2 acontece quando as células do organismo vão progressivamente tornando-se resistentes à insulina. No início da resistência à insulina, o pâncreas aumenta a produção de insulina para manter o açúcar do sangue normal, mas, com o tempo, à medida que a resistência à insulina aumenta, o pâncreas não consegue atender às solicitações de produção de mais insulina, levando à hiperglicemia.

 

Quase 95 por cento das pessoas com diabetes tem diabetes tipo 2, que começa na vida adulta, geralmente após os 40 anos de idade. Os cinco por cento restantes são diabéticos tipo 1 (que em geral aparece na infância e depende da insulina).

 

O diabetes tipo 2 tem caráter familiar (herdado). Com a elevação em obesidade mundial na última década, estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos. A obesidade, especialmente a obesidade centrípeta, aumenta grandemente os riscos de diabetes. A obesidade centrípeta é aquela onde a gordura se acumula mais ao redor da cintura que no restante do corpo. Este é o padrão de obeso que freqüentemente está associado à resistência à insulina e a uma condição conhecida como síndrome metabólica.

 

A síndrome metabólica é um conjunto de anormalidades que aumentam o risco de doença coronariana e derrame cerebral. Os fatores associados à síndrome metabólica incluem a obesidade, a resistência à insulina com os níveis de glicose (açúcar) altos ou ligeiramente elevados no sangue, níveis de insulina aumentados no sangue (hiperinsulinemia), pressão alta, níveis elevados de triglicérides, e baixos níveis de HDL colesterol – o "colesterol bom" – no sangue. Estas anormalidades geralmente acontecem juntas e estão relacionadas entre si por uma ligação genética ou metabólica. A síndrome metabólica e o diabetes tipo 2 aumentam o risco de doença coronariana, derrame cerebral e doença das artérias periféricas.

 

Quadro Clínico

 

Os sintomas do diabetes tipo 2 estão relacionados aos níveis altos de glicose no sangue. Eles incluem:

 

  • Poliúria (urina excessiva),
  • Sede exagerada,
  • Fome constante,
  • Perda de peso
  • Maior suscetibilidade às infecções, principalmente às micoses (infecção por fungos)

 

Hipoglicemia – Se as pessoas que têm diabetes tipo 2 ficam em jejum prolongado ou tomam medicamentos para reduzir o açúcar no sangue, os níveis de açúcar podem ficar abaixo do normal e causar hipoglicemia (açúcar baixo no sangue). Sinais indiretos de hipoglicemia incluem:

 

  • Sudorese,
  • Tremores,
  • Vertigem,
  • Fome,
  • Confusão mental,
  • Ataques epiléticos e perda de consciência (se a hipoglicemia não é reconhecida e corrigida).

 

Coma Hiperosmolar - Níveis de açúcar extremamente altos no sangue podem conduzir a uma complicação perigosa chamada Síndrome Hiperosmolar ou Coma Hiperosmolar. O coma hiperosmolar é uma forma ameaçadora à vida que acompanha a desidratação como resultado da hiperglicemia que não foi tratada. O coma hiperosmolar pode ser ativado pela desidratação, decorrente dos altos níveis de glicose no sangue. Em alguns casos, o coma hiperosmolar pode ser a primeira crise de uma pessoa tem diabetes tipo 2 e não sabia.

 

 

Complicações – As complicações do diabetes tipo 2 incluem:

 

  • Retinopatia Diabética – Nesta desordem, os minúsculos vasos sanguíneos da parte de trás do olho são lesados através dos níveis de açúcar altos no sangue. Diagnosticado cedo, o dano da retinopatia pode ser minimizado recuperando-se o rígido controle do açúcar no sangue e usando a laser terapia. A retinopatia sem tratamento pode levar à cegueira.
  • Vasculopatia Diabética –O diabetes tipo 2 também está associado à formação de gordurosa nas paredes das artérias (aterosclerose). Isto leva ao entupimento das artérias e prejudica o fluxo de sangue para todos os órgãos, podendo levar ao infarto do coração, ao derrame cerebral, à trombose nas pernas e às complicações renais.
  • Nefropatia Diabética – A lesão aos rins é mais provável se os níveis de açúcar no sangue ficarem persistentemente elevados e a pressão alta não for tratada rigorosamente.
  • Neuropatia Diabética – É a lesão que acomete o sistema nervoso. O tipo mais comum é a neuropatia periférica. Os nervos mais longos do corpo, aqueles que vão para as pernas, são os primeiros a serem lesados, causando dor e perda de sensibilidade (anestesia) nos pés. Isto pode avançar e causar sintomas nas pernas e nas mãos. A neuropatia autonômica corresponde à lesão dos nervos que controlam o funcionamento “automático” vital, como a digestão, a função sexual e a diurese (urina).

·                Problemas nos pés – As feridas e bolhas acontecem por duas razões. Se a neuropatia periférica causar perda de sensibilidade, a pessoa não sentirá dor ou pressão no pé. A pele pode rachar e pode formar uma úlcera. Além disso, a circulação do sangue pode ser ruim, levando à redução na velocidade de cura. Deixada sem tratamento, uma simples ferida pode infetar-se e aumentar de tamanho. Esta condição é conhecida como pé diabético.

 

Diagnóstico

 

O diabetes é diagnosticado pelo exame dos níveis de açúcar no sangue (Glicemia). O sangue é retirado após um período de jejum durante a noite. Tipicamente, o corpo mantém níveis de açúcar no sangue entre 70 e 100 miligramas por decilitro (mg/dL), até mesmo depois do jejum. Se os níveis de açúcar no sangue depois do jejum forem maiores que 125 mg/dL, o diabetes é diagnosticado.

 

O médico irá procurar sinais de complicações ou fatores de risco que aumentem o risco de complicações. Estes incluem:

 

  • Obesidade, especialmente a obesidade centrípeta (circunferência da cintura maior que 1 metro nos homens ou 90 centímetros nas mulheres)
  • Pressão alta
  • Sinais minúsculos de sangramento na retina, vistos por um instrumento chamado oftalmoscópio, durante o exame dos olhos (fundo de olho)
  • Sensibilidade diminuída nas pernas
  • Pulsos fracos nos pés ou irregulares no abdome
  • Bolhas, úlceras ou infecções nos pés

 

Exames de laboratório que são habitualmente usados para avaliar o diabetes incluem:

 

  • Glicemia de Jejum, um exame que mede os níveis de açúcar no sangue depois que a pessoa fica sem comer por várias horas
  • Hemoglobina Glicosilada, que indica a média da glicose no sangue durante os dois ou três meses anteriores
  • Cretinina no sangue e Micro-albumina na urina para evidenciar doença renal
  • Perfil Lipídico – colesterol, triglicérides, lipoproteína de alta densidade (HDL colesterol) e lipoproteína de baixa-densidade (LDL colesterol) – para avaliar o risco de aterosclerose.

 

Existem testes que podem ser feitos pelo próprio paciente em sua casa:

 

  • Teste onde se coloca uma gota de sangue em uma fita e um medidor especial (glicosímetro) faz a leitura para ver os níveis de glicose no sangue;

·         Teste da urina, usando uma fita especial que, em contato com a urina, acusa a presença de glicose ou cetonas. A presença de cetonas na urina pode significar que o nível de glicose no sangue está descontrolado.

 

Prevenção

 

Medidas para se prevenir o diabetes tipo 2 incluem:

 

  • Manter seu peso do corpo ideal: especialmente quem tem histórico familiar de diabetes.
  • Exercícios físicos: podem retardar o aparecimento do diabetes em pessoas que estão nas fases precoces de resistência à insulina,
  • Metformina (Glifage): Este medicamento pode ser útil para pessoas com níveis de glicose no sangue entre 100 e 125 mg/dL, próximos aos níveis do diabetes (pré-diabéticos).

 

A prevenção das complicações do diabetes tipo 2 incluem:

 

  • Controle rigoroso do açúcar no sangue
  • Aspirina diária para diminuir os riscos de complicações associadas ao coração
  • Controle da pressão alta, dos altos níveis de colesterol e dos triglicérides no sangue
  • Deixar de fumar
  • Visitar anualmente o oftalmologista

·         Cuidados com os pés.

 

Tratamento

 

Exercícios Físicos e Dieta – O tratamento começa com a redução do peso através da dieta e dos exercícios físicos. Uma dieta saudável para uma pessoa com diabetes é pobre em açucares, calorias e em colesterol; é equilibrada do ponto de vista nutricional; rica em óleos mono-insaturados, frutas, legumes e grãos.

 

Medicamentos Orais – Diferentemente do diabetes tipo 1, o diabetes tipo 2 geralmente pode ser controlado com medicamentos orais que incluem:

 

  • Metformina (Glifage®): melhora a resistência da insulina nos músculos e no fígado
  • Sulfonilureias: As sulfoniluréias aumentam a secreção da insulina pelo pâncreas. O objetivo das sulfoniluréias é, pois, de ajudar na secreção de insulina pelas células beta do pâncreas. Em alguns casos podem ser usadas concomitantes a insulina. Fazem parte das sulfoniluréias, vários medicamentos que são receitados para diabéticos que não precisam de insulina para o seu tratamento. Entre eles: Diabinese®, Daonil®, Euglucon®, Lisaglucon®, Minidiab®, Diamicron®, Amaryl®.
  • Repaglinida (Prandin®, Novonorm®) e Nateglinida (Starlix®), as quais causam um aumento rápido da liberação de insulina a cada refeição
  • Tiazolinedionas: Incluindo a Rosiglitazona (Avandia®) e a Pioglitazona (Actos®), as quais diminuem a conversão de gordura para a glicose, e que melhoram a resistência à insulina
  • Acarbose (Glucabay®): Retarda a absorção de glicose pelos intestinos

 

Insulina Injetável - Uma em cada três pessoas com diabetes tipo 2 usam insulina injetável em pequenas doses, em geral antes de dormir para evitar a produção e liberação de glicose do fígado durante o sono. No diabetes avançado, a insulina pode ser necessária mais de uma vez ao dia e em doses mais altas.

Programas de tratamento com as formas mais novas de insulina incluem:

 

ü       Insulina Glargina (Lantus): Insulina de liberação prolongada

ü       Insulina Lispro (Humalog): Insulina de liberação mais rápida que a insulina regular (usada nos hospitais)

ü       Insulina Aspart (Novo rapid): Insulina análoga da insulina obtida mediante a substituição da prolina na posição B 28 pelo ácido aspártico.

 

Complicações com o tratamento:

 

  • Insulina - Hipoglicemia
  • Metformina – Náuseas, diarréia, formação de ácido lático em renais crônicos;
  • Sulfoniluréias, Repaglinida e Nateglinida – Hipoglicemia e ganho de peso;
  • Rosiglitazona e Pioglitazona – Podem levar ao ganho de peso, inchaço nas pernas, piora da insuficiência cardíaca e causar hepatite;
  • Acarbose – Quanto tomada antes da refeição pode causar gases e inchaço.

 

 

Medicamentos para reduzir o risco das complicações renais:

 

  • Inibidores da ECA (Enzima de Conversão da Angiotensina I): Incluem o Lisinopril (Zestril), o Enalapril (Renitec), Benazepril (Lotensin), o Fosinopril (Monopril), o Captopril (Capoten), entre outros;
  • Bloqueadores dos receptores de angiotensina: Incluem o Losartan (Cozaar), o Irbesartana (Ávapro), o Candersartan (Atacand) e o Valsartan (Diovan). Estes remédios reduzem a velocidade do avanço da insuficiência renal.

 

Medicamentos para reduzir os níveis de colesterol - Diabéticos que elevaram os níveis de LDL - lipoproteína de baixa densidade – colesterol acima de 100 mg/dL devem tomar medicamentos para baixar seu colesterol. Normalmente são usados remédios chamados estatinas: Sinvastatina (Zocor), Atorvastatina (Liptor), Provastatina (Mevalutin) e a recente Rosuvastatina.

 

Qual médico procurar?

 

O acompanhamento do diabético é feito por um endocrinologista, que deve ser visitado regularmente.

 

Como as pessoas com níveis de açúcar altos no sangue têm um risco mais alto de desidratação, você deve entrar em contato com seu médico imediatamente se você tiver vômitos ou diarréia e não possa beber muito líquido.

 

Controle seus níveis de açúcar no sangue como recomendado por seu médico. Informe qualquer divergência significativa nos níveis de açúcar no sangue.

 

Prognóstico

 

O diabetes tipo 2 é uma doença que dura o resto da vida. O envelhecimento e a falta de controle do açúcar podem fazer a resistência à insulina aumentar, precisando tratamento adicional com o passar do tempo.

 

O tratamento do diabetes tipo 2 precisa de ajustes com o passar do tempo. A resistência à insulina aumenta com a idade. Depois dos primeiros anos, a maioria dos diabéticos tipo II precisam de mais que um remédio o controle do açúcar no sangue. Uma em cada três pessoas com diabetes tipo II precisam de aplicar insulina.

 

O prognóstico das pessoas com diabetes tipo 2 varia, dependendo da eficiência do paciente em diminuir os riscos de complicações como o infarto do coração, o derrame cerebral e a insuficiência renal. Quatro em cada cem pessoas com diabetes tipo 2 ficam dependentes de tratamentos de diálise por causa de insuficiência renal.

 

Uma dieta saudável, exercícios regulares, atenção cuidadosa para seus níveis de açúcar no sangue ajudam a prevenir as complicações.

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Publicado por

 Informedicals Policlin

 

DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA MÉDICA – HOSPITAL POLICLIN

 

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Editor: Dr. Mario César Prudente Leite