CONSULTOR MÉDICO DO HOSPITAL POLICLIN                                                                               091

 

Leucemias - Geral

 

  • Introdução
  • Quadro Clínico
  • Diagnóstico.
  • Prevenção.
  • Tratamento.
  • Qual médico procurar?
  • Prognóstico

 

Introdução

 

As leucemias englobam as formas de câncer que afetam os órgãos que produzem as células do sangue, tanto o sistema linfático como a medula óssea.

 

A medula óssea, um tecido esponjoso encontrado dentro de grandes ossos do corpo, fabrica glóbulos vermelhos (os quais transportam oxigênio e outras substâncias a todos os tecidos do corpo), glóbulos brancos – leucócitos - (que combatem as infecções) e plaquetas (que fazem com que o sangue se coagule).

 

O sistema linfático é constituído por vasos muito finos que se ramificam, por todas as partes do corpo, correndo paralelamente ao sistema sangüíneo. O sistema linfático tem em seu interior um tipo específico de leucócitos – os linfócitos – e uma substância que os transporta chamada linfa - um fluido incolor e aquoso. Ao longo da rede de vasos se encontram grupos de pequenos órgãos em formato de feijão chamados gânglios linfáticos (linfonodos). Os gânglios linfáticos são melhores conhecidos como ínguas, quando estão inchados e fazem saliência na pele. Existem acúmulos de gânglios linfáticos nas axilas, na pelve, no pescoço e no abdome. O baço (um órgão situado na parte superior do abdome que fabrica linfócitos e filtra as células deterioradas do sangue), o timo e as amídalas também fazem parte do sistema linfático.

 

A leucemia pode ser aguda (aparecendo “de repente”) ou crônica (durando mais tempo). A leucemia crônica raramente afeta as crianças, enquanto a leucemia aguda afeta adultos e crianças.

 

As leucemias representam aproximadamente 2 por cento de todos os cânceres. Elas atingem mais ou menos 9 em cada 100.000 pessoas no mundo inteiro a cada ano. Incide mais em homens que em mulheres, e a raça branca é mais afetada que outros grupos raciais ou étnicos. Os adultos têm 10 vezes mais chance de desenvolver a leucemia que as crianças. A leucemia aparece mais freqüentemente nos idosos. Quando a leucemia ocorre na criança, ela aparece em geral antes dos 4 anos de idade.

 

Leucemia Aguda

 

Na leucemia aguda as células imaturas do sangue se reproduzem rapidamente, na medula óssea, e impedem as células saudáveis de ganhar a corrente sanguínea. As células imaturas e anormais podem se espalhar para outros órgãos causando lesões. Os dois tipos principais de leucemia aguda envolvem diferentes tipos de células do sangue:

 

· Leucemia Linfóide Aguda (ou leucemia linfocítica aguda ou LLA): É o tipo mais comum de leucemia que afeta as crianças, primariamente aquelas antes dos 10 anos de idade. Os adultos, algumas vezes, podem desenvolver a LLA, mas ela é rara em pessoas acima dos 50 anos. A LLA ocorre quando células primitivas do sangue chamadas linfoblastos (linfócitos em desenvolvimento) não amadurecem e se multiplicam em excesso. Estas células anormais impedem que as células normais sejam liberadas. Elas podem se acumular nos gânglios linfáticos (linfonodos) e causar inchaço (ínguas).

· Leucemia Mielóide Aguda (LMA): Representa aproximadamente 50 por cento das leucemias diagnosticadas em adolescentes e em pessoas por volta dos 20 anos de idade. É a forma mais comum de leucemia aguda em adultos. Ela ocorre quando células primitivas do sangue chamadas mieloblastos reproduzem sem se desenvolver em células normais do sangue. Os mieloblastos imaturos se acumulam na medula óssea e interferem com a produção das células normais do sangue. Isto leva a anemia (quantidade insuficiente de células vermelhas no sangue) e infecções freqüentes porque não há leucócitos (células brancas) suficientes no sangue.

 

Leucemia Crônica

 

A Leucemia Crônica ocorre quando o corpo produz uma quantidade exagerada de células que, apesar de se desenvolverem, não funcionam como células maduras. A leucemia crônica usualmente se desenvolve mais lentamente e é menos dramática que a leucemia aguda. Existem dois tipos principais de leucemia crônica:

 

·         Leucemia Linfóide Crônica (LLC ou leucemia linfocítica crônica): É rara em pessoas abaixo dos 30 anos de idade. Ela é mais freqüente a medida que a pessoa envelhece. O maior número dos casos ocorre em pessoas em torno dos 60 e 70 anos de idade. Nesta forma de leucemia, o tipo de célula anormal na medula óssea é chamado linfócito. Estas células anormais não são capazes de combater as infecções como uma célula normal. Na LLC, as células cancerosas vivem na medula óssea, no sangue, no baço e nos linfonodos (ínguas), onde produzem inchaço.

·         Leucemia Mielóide Crônica (LMC): Ocorre em pessoas entre os 25 e 60 anos de idade. Nesta forma de leucemia, o tipo de célula anormal do sangue é chamada célula mielóide. As células da LMC em geral estão relacionadas a uma anormalidade genética (herdada dos pais) chamada Cromossomo Philadelphia. Entretanto, esta doença nem sempre tem esta característica genética. Pessoas expostas a excesso de radioatividade ou ao Benzeno (um composto químico presente na gasolina), têm mais chance de desenvolver esta forma de leucemia. A LMC algumas vezes pode ser curada com um transplante de medula óssea.

 

A grande maioria das leucemias ocorre em pessoas sem qualquer história familiar de leucemia, e não se acredita que sejam herdadas. Entretanto algumas formas da doença, especialmente a LLC, ocasionalmente aparece em parentes próximos da mesma família.

 

Certas anormalidades genéticas (como a Síndrome de Down) têm sido associadas ao desenvolvimento de certos tipos de Leucemia.

 

Quadro Clínico

 

Os primeiros sintomas podem ser similares aos de uma virose ou outras enfermidades comuns, dificultando o diagnóstico até mesmo para o médico. Você deverá consultar o médico se observar uma das características abaixo por um tempo prolongado:

 

·         SÍNDROME ANÊMICA: Caracteriza-se por uma anemia crescente, acompanhada de palidez da pele e das mucosas, falta de ar que aumenta com o esforço físico, cansaço, dores de cabeça, agitação ou sonolência e taquicardia (aumento dos batimentos do coração).

·         SÍNDROME HEMORRÁGICA: Decorrente da progressiva diminuição ou ausência das plaquetas do sangue. Pode haver sangramentos em qualquer parte do corpo, mas eles podem ser mais evidentes na pele e nas mucosas, desde um simples hematoma até grandes hemorragias associadas ou não a traumatismos. A epistaxe (sangrar pelo nariz) é um dos sintomas mais comuns e, em geral, é o motivo da consulta médica.

·         SÍNDROME FEBRIL: Mostra-se como uma febre de origem indeterminada, muitas vezes com tosse, dor abdominal, dor de garganta, fazendo o paciente procurar o médico.

·         SÍNDROME TUMORAL: Ocorre pelo acúmulo de células sangüíneas imaturas em órgãos como o fígado, baço, gânglios línfáticos e genitais. Pode haver comprometimento dos ossos e articulações, em até 30% dos casos, causando dor de forte intensidade. Quando atinge o sistema nervoso central é acompanhada de vômitos, dores de cabeça, diminuição de sensibilidade ou de força motora. Os testículos podem ser afetados em até 20% dos casos, tornando-se inchados, mas a dor não costuma ser intensa. Os ovários, em geral, não costumam ser comprometidos.

 

Diagnóstico

 

O diagnóstico de leucemia pode não ser fácil para o médico tendo como base somente os sintomas, principalmente no início da doença. Ao examinar o paciente ele pode descobrir a presença de ínguas (linfonodos inchados) além de aumento do baço e/ou do fígado. O diagnóstico pode ser feito com a solicitação de um Hemograma Completo com resultados fora do normal. Os procedimentos diagnósticos que irão se seguir incluem:

 

·         Mielograma: exame importante no diagnóstico e na avaliação da resposta ao tratamento. Vai indicar se, estruturalmente, as células leucêmicas foram exterminadas da medula óssea (remissão completa medular). Esse exame é feito sob anestesia local e consiste na aspiração da medula óssea (biópsia) seguida de esfregaços em lâminas de vidro, para exame ao microscópio. Os locais preferidos para a aspiração são a parte posterior do osso da bacia e o esterno (parte anterior do tórax). Durante o tratamento são feitos vários mielogramas.

·         Punção lombar: A medula espinhal é parte do sistema nervoso que tem a forma de cordão e por isso é chamada de cordão espinhal. A medula é forrada pelas meninges (três membranas). Entre as meninges circula um líquido claro denominado líquor. A punção lombar consiste na aspiração do líquor para exame ao microscópio e também para injeção de quimioterapia com a finalidade de impedir o aparecimento (profilaxia) de células leucêmicas no Sistema Nervoso Central ou para destruí-las quando existir doença (meningite leucêmica) nesse local. É feita na maioria das vezes sob anestesia local. Em crianças que não cooperam com o exame, algumas vezes é indicada anestesia geral.

·         Exames genéticos: podem ser solicitados para detectar, por exemplo, o cromossomo philadelphia.

 

Prevenção

 

Não existe nenhuma maneira de se prevenir as formas de leucemia. No futuro, os exames genéticos poderão representar um importante papel na identificação das pessoas que são mais propensas a desenvolver leucemia.

 

Até isto ocorrer, parentes próximos de pessoas com leucemia devem seguir uma rotina de exames antes que os sintomas se desenvolvam.

 

Tratamento

 

Leucemia Aguda

 

Ao contrário de outros cânceres, a Leucemia Aguda não depende do quanto a doença está avançada, mas sim da condição física da pessoa e do quanto o diagnóstico foi feito precocemente, da adesão ao tratamento, do controle da doença ou se houve recidiva (volta) da doença após a melhora.

 

Na LLA, o tratamento geralmente ocorre em fases, embora nem todas as fases sejam usadas em todas os paciente com a doença:

 

·         Fase I (chamada indução): Usa-se a quimioterapia, com o paciente internado. Na terapia de indução o propósito é de destruir a maior quantidade possível de células leucêmicas e fazer com que o paciente passe à remissão.

·         Fase II (chamada consolidação): Continua o uso da quimioterapia, na qual se destroem as células leucêmicas restantes. O paciente pode ser acompanhado em casa (retornando ao Hospital para o tratamento, mas sem passar a noite) para manter o paciente em remissão (sem sintomas).

·         Fase III (chamada profilaxia): Usa diferentes drogas de quimioterapia, algumas vezes combinadas com radioterapia para prevenir que a leucemia não atinja o cérebro e o sistema nervoso central durante a fase de indução e consolidação. A radioterapia consiste no uso de raios X ou outros raios de alta energia para eliminar células cancerosas e reduzir o tamanho de tumores.

·         Fase IV (chamada manutenção): Envolve o acompanhamento médico regular com exames físicos e laboratoriais após a leucemia haver sido tratada, para ter certeza que ela não retornará.

·         Fase V (chamada re-indução): Nos casos recorrentes, faz-se a repetição dos medicamentos usados na fase de indução da remissão. São usados vários tipos de drogas de quimioterapia em diferentes doses para tratar a doença que voltou. O paciente pode precisar de vários anos de quimioterapia para manter a leucemia em remissão.

 

O transplante de medula óssea é utilizado para substituir a medula óssea doente com medula óssea sã. Primeiramente toda a medula óssea do corpo é destruída com doses elevadas de quimioterapia com ou sem radioterapia. A seguir, retira-se parte da medula óssea de um doador são, cujo tecido seja igual ou compatível ao do paciente. O doador pode ser um irmão gêmeo (melhor opção), um irmão ou irmã compatíveis ou mesmo uma pessoa que não tenha parentesco com o paciente, mas que tenha compatibilidade.

 

Na Leucemia Mielóide Aguda, o tratamento geralmente depende do tipo de doença, bem como da idade e da saúde do paciente. Usualmente a pessoa recebe o tratamento de indução num esforço de levar a leucemia à remissão. As terapias de consolidação e de manutenção podem ser usadas, mas elas são menos efetivas para a LMA que para a LLA. Para todos os tipos de leucemia, o transplante de medula óssea é uma opção quando a quimioterapia sozinha teve menos sucesso.

 

A colocação de um Cateter Venoso Central é útil, pois o tratamento da leucemia aguda é demorado, podendo levar até três anos, requerendo repetidas transfusões e internações. Recomenda-se a implantação de um cateter em uma veia profunda (em geral no pescoço ou no braço), para facilitar a aplicação de medicamentos e derivados sanguíneos e a retirada de sangue para exames, e agredir menos a criança com repetidas punções venosas. Existe ainda a opção de colocação de um cateter tipo Porto-cat, que é implantado sob a pele, tendo como vantagem a maior durabilidade.

 

Leucemia Crônica

 

Na leucemia crônica, a primeira coisa a se fazer após o diagnóstico é determinar a extensão do câncer – ou seja – o estadiamento. Existem 4 estágios na Leucemia Linfóide Crônica:

 

·         Estágio O – Existe exagerado número de linfócitos no sangue. Geralmente não existem outros sintomas da leucemia.

·         Estágio I – Os linfonodos estão inchados por causa do excesso de linfócitos no sangue.

·         Estágio II – Os linfonodos, o baço e o fígado estão inchados por causa da abundância de linfócitos no sangue.

·         Estágio III – O paciente desenvolve anemia - muito poucas hemácias (células vermelhas) no sangue.

·         Estágio IV – Queda acentuada das plaquetas no sangue. Os linfonodos, baço e o fígado podem estar inchados. Anemia pode estar presente.

 

O tratamento da Leucemia Linfóide crônica depende do estágio da doença, bem como da idade e da condição de saúde do paciente. Nos estágios precoces, o tratamento pode não ser necessário, embora a saúde do paciente deva ser acompanhada de perto. Nos estágios I ou II, observação e quimioterapia são o tratamento usual. Nos estágios III ou IV, a quimioterapia “pesada” ou com múltiplas drogas podem ser usadas.

 

Interferon-alpha (IFN-a): Uma opção de tratamento para LMC é o IFN-a. Os interferons são substancias naturais produzidas pelo nosso corpo. Administrar nos pacientes uma injeção de IFN-a pode ajudar a reduzir o crescimento das células leucêmicas (e prolongar a vida), mas isto não significa a cura da LMC. O IFN-a é às vezes administrado sozinho, ou com uma droga chamada Cytarabine (Ara-C). O problema mais significativo com o uso deste tratamento tem sido sua tolerabilidade. Muitos pacientes não toleram seus efeitos colaterais

 

Hydroxyurea/Busulfan: Estes dois agentes quimioterápicos são tipicamente usados em pacientes que não são aptos a se submeter ao transplante de medula ou não toleram o IFN-a. Ambos os medicamentos tratam os sintomas da LMC, mas não prolongam a vida. Entretanto, eles são melhor tolerados que o IFN-a.

 

Imatinib Mesylate (Gleevec): Este medicamento tem sido preconizado para tratar aqueles pacientes nos estágios iniciais da doença, com ou sem transplante de medula.

 

Alguns pacientes também podem ser tratados com um transplante de medula óssea.

 

Qual médico procurar?

 

Procure o médico (hematologista) se você tiver um sangramento fora do normal, hematomas espontâneos na pele, infecções freqüentes, gânglios linfáticos inchados (ínguas), cansaço e falta de ar associados à palidez da pele ou qualquer sintoma que possa sugerir leucemia.

 

Prognóstico

 

De forma geral, a progressão da leucemia crônica é mais lenta que a leucemia aguda. A quimioterapia e/ou transplante de medula óssea terão um papel decisivo na evolução da doença. Sem tratamento, as pessoas com LMC habitualmente tinham alguns anos de estabilidade antes de desenvolver um quadro parecido com a LMA, mais agressivo. Quanto a transformação da LMC em LMA, se pode ou não ser adiada ou prevenida com o uso da quimioterapia, ainda é uma incógnita.

 

Quase 40 por cento das pessoas com leucemia têm sobrevida de no mínimo 5 anos após o diagnóstico, porém a taxa sobrevida varia muito entre os diferentes tipos de leucemia.

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Publicado por

 Informedicals Policlin

 

DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA MÉDICA – HOSPITAL POLICLIN

 

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Editor: Dr. Mario César Prudente Leite