CONSULTOR MÉDICO DO HOSPITAL POLICLIN                                                                               065

 

Linfoma Hodgkin e Não Hodgkin

 

Introdução

 

O Linfoma é um câncer dos linfócitos, células do sistema linfático que ajuda o corpo a combater as infecções. O sistema linfático é uma rede de vasos ao longo do corpo que drena (coleta) organismos invasores, como vírus e células anormais. Os invasores passam pelos linfonodos onde eles são retidos e destruídos através de células brancas do sangue, inclusive as células chamadas linfócitos. O Linfoma começa habitualmente em um linfonodo, mas também pode começar no estômago, nos intestinos, na pele ou em qualquer outro órgão. Os dois tipos principais de linfoma são o Linfoma (ou Doença) de Hodgkin e o Linfoma Não-Hodgkin.

 

Doença de Hodgkin

 

A doença de Hodgkin é caracterizada por um tipo específico de célula anormal chamada “Célula de Reed-Sternberg”. Este tipo de câncer pode esparramar-se ao longo do sistema linfático, afetando qualquer órgão ou tecido linfático no corpo. A doença de Hodgkin afeta as pessoas geralmente por volta dos 30 ou acima dos 50 anos de idade. Os homens são mais afetados que as mulheres, e pessoas da raça branca são mais freqüentemente afetadas que as de outras raças. A desordem atinge aproximadamente cinco em cada 100.000 pessoas.

 

Linfoma Não-Hodgkin

 

A maioria dos linfomas é do tipo Linfoma Não-Hodgkin. Em adultos, o Linfoma Não-Hodgkin  afeta mais os homens que as mulheres, aparecendo freqüentemente entre as idades de 60 e 70 anos. Pessoas da raça branca são mais freqüentemente afetadas que as de outras raças. A desordem atinge 16 em cada 100.000 pessoas. A taxa de incidência deste câncer está crescendo por razões desconhecidas.

 

Tipos diferentes de linfoma ocorrem em diferentes faixas etárias.

 

  • Na maioridade – O linfoma não-Hodgkin no adulto é classificado pelo tamanho, tipo e distribuição de células cancerosas nos linfonodos. Os três tipos são de 1. Baixo grau (de crescimento lento), 2. Grau intermediário e 3. Alto grau (agressivo).

 

  • Na infância – Os linfomas não-Hodgkin da Infância incluem o linfoma linfoblástico, o linfoma de células grandes, e os linfomas Burkitt e Não-Burkitt. Linfomas não-Hodgkin de alto-grau (agressivos) normalmente afetam as crianças e os adultos jovens.

 

 

Vários fatores podem contribuir para o desenvolvimento dos linfomas:

 

  • Fatores ambientais - Recentes estudos mostraram uma possível ligação entre os linfomas e a exposição a certas substâncias químicas como herbicidas e inseticidas. Estudos adicionais serão necessários.
  • Fatores genéticos - Estudos indicam que os pacientes com certas Síndromes de Imunodeficiência Genéticas (herdadas), como a síndrome de Wiskott-Aldrich, pode ter um risco aumentado para o desenvolvimento dos linfomas.
  • Infecções virais - Pesquisas sugerem ligações entre os linfomas e certos vírus, como o vírus de Epstein-Barr e o HIV. Por exemplo, um estudo descobriu que a doença de Burkitt está relacionada ao vírus de Epstein-Barr em quase todos os casos na África e em 15 por cento dos casos em todo o mundo. Pacientes infectados pelo HIV, especialmente aqueles já com AIDS, também estão mais suscetíveis aos linfomas Hodgkin e Não-Hodgkin.

 

Quadro Clínico

 

O sintoma principal da Doença de Hodgkin e do Linfoma Não-Hodgkin é o inchaço dos linfonodos (ínguas) no pescoço, debaixo dos braços ou na virilha. Outros sintomas podem incluir:

 

  • Febre
  • Suores noturnos
  • Fadiga ou cansaço
  • Dor abdominal
  • Perda de peso inexplicada
  • Pele áspera

 

Como os linfonodos inchados (ínguas) que normalmente aparecem por causa dos linfomas são indolores, os linfonodos podem aumentar lentamente por um longo período, antes de serem notados pelo paciente. Além disso, a febre geralmente associada com o linfoma pode aparecer e desaparecer durante várias semanas antes do paciente consultar o médico. Até mesmo a perda de peso inexplicada causada por certos tipos de linfomas pode progredir por meses antes do paciente buscar ajuda médica.

 

Diagnóstico

 

O médico irá suspeitar de um linfoma baseado em sua história clínica e nos resultados do exame físico, ele solicitará exames de sangue e fará um procedimento chamado biópsia de linfonodo.

 

Nesta biópsia de linfonodo, o médico fará uma anestesia local sob a pele ao redor. Depois da área ter sido anestesiada, uma agulha estéril é usada para remover um pedaço pequeno de tecido. O tecido é então examinado em um laboratório para ter uma evidência de linfoma. Ocasionalmente, um linfonodo inteiro é cirurgicamente retirado por que isto pode ajudar o patologista a ter certeza do diagnóstico.

 

Você também pode precisar de outros exames, inclusive Radiografias para avaliar o tórax, ossos, fígado e baço; uma Biópsia de medula óssea; uma Cintilografia com gálio e uma Tomografia computadorizada (ou CT) de abdome.

 

Se o diagnóstico é de linfoma, o próximo passo é determinar a fase em que está o câncer.

 

As fases variam do estágio I no qual o câncer está limitado a um órgão como um linfonodo, até o estágio IV no qual o câncer esparramou extensamente fora do sistema linfático e possivelmente para a medula óssea ou outros órgãos.

 

Ocasionalmente, a cirurgia laparoscópica é executada para ajudar a determinar o estágio. Neste procedimento, uma incisão pequena é feita no abdome, e um tubo fino, iluminado em sua extremidade, chamado laparoscópio, é usado para ver se o câncer se esparramou para quaisquer dos órgãos internos. Durante o procedimento, também podem ser removidos pedaços pequenos de tecido para serem examinados ao microscópio para ver sinais de câncer (biópsia).

 

Prevenção

 

Não há nenhuma maneira conhecida de se prevenir o Linfoma Hodgkin ou o Linfoma Não-Hodgkin. Você pode diminuir seu risco de linfoma tomando precauções como evitar se contaminar com o HIV. Não se conhece formas de se evitar certas substâncias químicas para prevenir os linfomas.

 

Tratamento

 

A Radioterapia é o tratamento tradicional para os estágios precoces da doença de Hodgkin. A Quimioterapia, possivelmente com a Radioterapia, é usada em estágios avançados da doença. Se a quimioterapia poderia ser usada em vez da radioterapia para a doença em fases precoces, está sendo avaliado. O tratamento para o Linfoma não-Hodgkin depende do grau do linfoma (baixo, intermediário ou alto), o estágio da doença, a idade e a saúde do paciente.

 

  • Nos estágios precoces, os linfomas de baixo-grau (de crescimento lento) podem, às vezes, ser curados com uma combinação de radioterapia e quimioterapia. Caso contrário, o tratamento é baseado no quanto os sintomas se desenvolveram e na severidade deles. Não se acredita que o tratamento precoce, agressivo, melhore a sobrevida na maioria dos linfomas de baixo-grau. Em alguns casos de linfoma de baixo-grau em estágios precoces, a doença será monitorada, mas nenhum tratamento será dado a menos que a doença piore. Se um paciente em estágio inicial, em um linfoma de baixo-grau tem sintomas, ou se a doença já se esparramou significativamente, o paciente pode ser tratado com radioterapia.

 

  • O Linfoma de baixo-grau em estágio avançado pode ser tratado de várias maneiras, desde a quimioterapia com ou sem radioterapia até o transplante de medula óssea. Em um transplante de medula óssea, as células da medula óssea do paciente são mortas e então células de medula óssea livres de câncer são injetadas.

 

  • Para Linfomas de alto-grau, a cura é possível em 40 a 50 por cento dos casos. O tratamento principal é a quimioterapia. A radioterapia às vezes também é usada. O Linfoma de grau intermediário pode ser tratado com uma combinação de drogas na quimioterapia. As fases mais avançadas podem requerer quimioterapia em altas doses e possivelmente um transplante de medula óssea. O Linfoma Burkitt, um linfoma de alto-grau, pode ser curado em 80 por cento dos casos com uma combinação de drogas na quimioterapia.

 

  • Se o câncer volta a aparecer em uma pessoa que foi tratada para um linfoma intermediário ou de alto-grau, ela pode tornar-se candidata  a um transplante de medula.

 

Em recentes estudos clínicos, a radioimunoterapia foi usada para tratar linfomas avançados, de alto-grau ou que continuaram se devolvendo depois do tratamento. Esta terapia envolve a injeção de anticorpos ligados ao iodo radioativo. Os anticorpos são proteínas que fazem parte do sistema imunológico e atacam as células do câncer. A radiação somada ajuda a matar essas células. Pesquisadores estão estudando outras formas de terapias biológicas que usam o sistema imune para lutar contra o câncer.

 

Qual médico procurar?

 

Procure o médico se você experimentar qualquer sintoma relacionado aos linfomas por mais de duas semanas.

 

Prognóstico

 

Doença de Hodgkin

 

Considera-se que este seja o mais curável de todos os cânceres do sangue. Com tratamento adequado, aproximadamente 80 por cento dos pacientes sobrevivem por cinco anos ou mais. Pacientes diagnosticados no Estágio I têm uma chance de mais de 90 por cento de viver 10 anos ou mais. Os pacientes diagnosticados no Estágio IV têm uma chance de 50 por cento de viver até 10 anos ou mais.

 

Linfoma Não-Hodgkin

 

Para pacientes com Linfoma não-Hodgkin, a chance de sobrevivência depende do grau e da fase do câncer, da saúde do paciente e da resposta ao tratamento. De 50 a 80 por cento dos pacientes sobrevivem cinco anos ou mais. O linfoma de alto-grau do tipo agressivo serão curados com maior eficácia com quimioterapia, mas esta forma de câncer pode ser fatal. Linfomas de baixo-grau podem ter freqüentemente taxa de sobrevida mais longa, alcançando uma sobrevida de até 10 anos, em alguns casos.

 

A maioria das crianças responde bem ao tratamento, embora as crianças tendam a ter Linfomas não-Hodgkin de alto-grau e tipos mais agressivos. Aproximadamente 70 a 90 por cento das crianças sobrevive por cinco anos ou mais.

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Publicado por

 Informedicals Policlin

 

DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA MÉDICA – HOSPITAL POLICLIN

 

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Editor: Dr. Mario César Prudente Leite