|
Crises de Ausência
– Epilepsia Tipo “Pequeno Mal”
Introdução
As células nervosas do
cérebro (neurônios) comunicam-se umas às outras através do disparo de
sinais elétricos minúsculos. Quando alguém sofre um ataque epilético, o
padrão de disparo dos sinais elétricos do cérebro de repente fica anormal e
extraordinariamente intenso. Este ataque epilético pode afetar só uma área
isolada do cérebro, ou pode envolver o cérebro inteiro. Se o cérebro
inteiro for envolvido, a perturbação elétrica é chamada de ataque epilético
generalizado. As duas formas mais comuns de ataques epiléticos
generalizados são os ataques epiléticos tônico-clônicos (freqüentemente
chamados de ataques epiléticos tipo “grande mal”) e crises de ausência
(também chamados ataques epiléticos tipo “pequeno mal”). Embora ambas as
formas de ataques epiléticos generalizados fazem o paciente perder a
consciência temporariamente, só a forma de grande mal produz sintomas de
uma verdadeira convulsão na qual a pessoa cai “dura” de encontro ao
chão, cerra os dentes e contrai os músculos de forma rítmica, que pode
durar de dois minutos ou muito mais tempo (ficando às vezes constante –
estado de mal epilético).
Ao contrário de um
ataque epilético tipo grande mal, uma crise de ausência causa uma perda de
consciência que normalmente é de 30 segundos ou menos, sendo às vezes pouco
notável. Em lugar de cair, a pessoa simplesmente pára de andar ou falar,
fica parada de pé, sem expressão no rosto, e não responde às perguntas.
Quando o ataque epilético termina, a pessoa retoma suas atividades normais
sem perceber que qualquer coisa tenha acontecido, não tendo nenhuma
lembrança do ataque que teve. Como a maioria dos pacientes que sofrem de
crises de ausência é criança, a professora pode ser a primeira a notar este
problema.
A epilepsia é definida
como uma desordem do cérebro que causa ataques epiléticos repetitivos.
Então, uma criança com crises de ausência repetidas
vezes tem epilepsia tipo ausência da infância ou epilepsia tipo pequeno
mal. Embora a ausência possa começar em qualquer momento durante a
infância, é muito comum em crianças entre as idades de 5
e 15 anos. As meninas têm epilepsia tipo ausência mais freqüentemente que
os meninos, e na maioria dos casos a razão para os ataques epiléticos é
desconhecida. Embora as pesquisas sugiram que o fator genético (herdado)
possa desempenhar algum papel no desenvolvimento da ausência, não há nenhum
modo prático de usar esta informação para diagnosticar esta desordem ou afasta-la.
Quadro Clínico
Durante uma crise de
ausência, a criança fica mentalmente “ausente” de tudo que está à sua volta
– temporariamente alheia ao que está acontecendo ao seu redor. Durante
alguns breves segundos, a criança pára o que ela está fazendo, fica com o olhar
perdido, e não responde ao chamado de um adulto para prestar atenção ou
para acordar.
Enquanto o ataque
epilético estiver acontecendo, as pálpebras da criança podem piscar ou
podem lacrimejar rapidamente ou um braço ou perna podem estremecer, repuxar
ou movimentar sem propósito. Depois do ataque epilético, a criança não tem
nenhuma memória do episódio e normalmente retoma suas atividades prévias
como se nada tivesse acontecido.
Como a
criança com ausência pode ter muitos ataques epiléticos breves
durante o dia na escola, a desordem pode interferir seriamente com a
capacidade de prestar atenção e participar da aula. Por isto, a professora
pode ser o primeiro adulto a notar que algo está errado. Se a professora
simplesmente não está familiarizada com crises de ausência, ela pode
reclamar que a criança não está prestando atenção, estar ignorando a aula
ou parecer estar sonhando.
Fora da sala de aula,
os sintomas da criança podem afetar a habilidade de se concentrar quando
ela estiver praticando um esporte ou fazendo lição de casa. Os ataques
epiléticos também podem interromper a conversa com amigos ou membros da
família.
Diagnóstico
O médico irá começar
lhe pedindo que descreva os sintomas de seu filho, incluindo com que
freqüência os sintomas acontecem e quanto tempo eles duram. Ele também irá
rever a história clínica de seu filho, especialmente qualquer história de
trauma durante e após o nascimento, lesões graves à cabeça ou infecções que
envolveram o cérebro, como encefalites ou meningites. O médico também irá
perguntar se qualquer outro membro da sua família teve sintomas semelhantes
ou recebeu tratamento para qualquer tipo de epilepsia.
Ele então fará um exame
físico e neurológico completo de seu filho. Este exame pode ser seguido de
exames de sangue rotineiros para checar por doenças clínicas comuns que
possa imitar a epilepsia ou gatilhos de ataques epiléticos. Na maioria dos
casos, os resultados do exame físico de seu filho e os exames de sangue
serão normais.
Como um
passo final no processo diagnóstico, o médico pode solicitar um eletroencefalograma
(o EEG). Um EEG é um teste indolor que mostra a atividade elétrica no
cérebro de seu filho e o traduz em uma série de padrões impressos. Em
muitas crianças com ausência, o EEG mostra uma combinação específica de
onda que confirma o diagnóstico. Em alguns casos, o médico pode solicitar
também uma Tomografia Computadorizada de Crânio ou uma Imagem de
Ressonância Magnética (IRM) do cérebro de seu filho para procurar um tumor
ou outra anormalidade. Isto pode ser feito se seu filho tiver um ou mais
dos problemas seguintes: ataques epiléticos prolongados, um padrão
incomum de sintomas, resultados anormais no exame físico ou
neurológico ou teve uma condição, como trauma ao nascimento, trauma
de crânio, encefalites ou meningites, que o colocaria em
maior risco de crises de ausência.
Prevenção
As crises de ausência
não podem ser prevenidas porque a maioria dos casos não tem causa
conhecida.
Tratamento
Se sua criança tiver
crises de ausência, o médico tratará a condição com medicamentos, como o Ethosuximide (Zarontin), o Lamotrigine (Lamictal) ou
ácido Valpróico (Depakene,
Depakote). O propósito destes medicamentos é
controlar o número de ataques epiléticos de seu filho, assim ele pode
alcançar seu pleno potencial na escola e em casa. Uma vez seu filho comece
a tomar um remédio antiepilético, o tratamento
normalmente continua durante pelo menos dois anos.
Qual médico procurar?
Procure o pediatra de
seu filho ou o clínico geral se você notar que seu filho tem ficado
desatento, tem tido períodos breves de sono profundo enquanto brinca ou
outros comportamentos que possam ser sintomas de crises de ausência.
Se a professora de seu
filho reclama que ele não está prestando atenção, fica desligado ou está
sempre “no mundo da lua”, pergunte a ela se seu filho apresenta outros
sintomas de crises de ausência. Por exemplo, sua criança encara o quadro
negro como se fitasse o vazio, pisca repetidamente
ou estremece enquanto sonha? Peça à professora para escrever uma descrição
detalhada dos sintomas de seu filho, inclusive uma estimativa de quanto
tempo cada episódio dura e o número de episódios
por dia. Uma vez você tenha esta descrição, confira para ver se você nota
quaisquer destes mesmos comportamentos quando sua criança estiver em casa.
Então procure o médico/pediatra para discutir a
situação. Um exame oftalmológico (oculista) também é recomendado.
Prognóstico
O prognóstico é muito
bom. A maioria das crianças com crises de ausência supera a condição
eventualmente sem complicações quando chegam à adolescência. Com tratamento
adequado, a criança pode ter uma vida normal na escola e em casa. Na
maioria dos casos, não há nenhum efeito a longo prazo
no desenvolvimento do cérebro, função cerebral ou inteligência.
|