CONSULTOR MÉDICO DO HOSPITAL POLICLIN                                                                               050

 

Crises de Ausência – Epilepsia Tipo “Pequeno Mal”

 

Introdução

 

As células nervosas do cérebro (neurônios) comunicam-se umas às outras através do disparo de sinais elétricos minúsculos. Quando alguém sofre um ataque epilético, o padrão de disparo dos sinais elétricos do cérebro de repente fica anormal e extraordinariamente intenso. Este ataque epilético pode afetar só uma área isolada do cérebro, ou pode envolver o cérebro inteiro. Se o cérebro inteiro for envolvido, a perturbação elétrica é chamada de ataque epilético generalizado. As duas formas mais comuns de ataques epiléticos generalizados são os ataques epiléticos tônico-clônicos (freqüentemente chamados de ataques epiléticos tipo “grande mal”) e crises de ausência (também chamados ataques epiléticos tipo “pequeno mal”). Embora ambas as formas de ataques epiléticos generalizados fazem o paciente perder a consciência temporariamente, só a forma de grande mal produz sintomas de uma verdadeira convulsão na qual a pessoa cai “dura” de encontro ao chão, cerra os dentes e contrai os músculos de forma rítmica, que pode durar de dois minutos ou muito mais tempo (ficando às vezes constante – estado de mal epilético).

 

Ao contrário de um ataque epilético tipo grande mal, uma crise de ausência causa uma perda de consciência que normalmente é de 30 segundos ou menos, sendo às vezes pouco notável. Em lugar de cair, a pessoa simplesmente pára de andar ou falar, fica parada de pé, sem expressão no rosto, e não responde às perguntas. Quando o ataque epilético termina, a pessoa retoma suas atividades normais sem perceber que qualquer coisa tenha acontecido, não tendo nenhuma lembrança do ataque que teve. Como a maioria dos pacientes que sofrem de crises de ausência é criança, a professora pode ser a primeira a notar este problema.

 

A epilepsia é definida como uma desordem do cérebro que causa ataques epiléticos repetitivos. Então, uma criança com crises de ausência repetidas vezes tem epilepsia tipo ausência da infância ou epilepsia tipo pequeno mal. Embora a ausência possa começar em qualquer momento durante a infância, é muito comum em crianças entre as idades de 5 e 15 anos. As meninas têm epilepsia tipo ausência mais freqüentemente que os meninos, e na maioria dos casos a razão para os ataques epiléticos é desconhecida. Embora as pesquisas sugiram que o fator genético (herdado) possa desempenhar algum papel no desenvolvimento da ausência, não há nenhum modo prático de usar esta informação para diagnosticar esta desordem ou afasta-la.

 

Quadro Clínico

 

Durante uma crise de ausência, a criança fica mentalmente “ausente” de tudo que está à sua volta – temporariamente alheia ao que está acontecendo ao seu redor. Durante alguns breves segundos, a criança pára o que ela está fazendo,  fica com o olhar perdido, e não responde ao chamado de um adulto para prestar atenção ou para acordar.

 

Enquanto o ataque epilético estiver acontecendo, as pálpebras da criança podem piscar ou podem lacrimejar rapidamente ou um braço ou perna podem estremecer, repuxar ou movimentar sem propósito. Depois do ataque epilético, a criança não tem nenhuma memória do episódio e normalmente retoma suas atividades prévias como se nada tivesse acontecido.

 

Como a criança com ausência pode ter muitos ataques epiléticos breves durante o dia na escola, a desordem pode interferir seriamente com a capacidade de prestar atenção e participar da aula. Por isto, a professora pode ser o primeiro adulto a notar que algo está errado. Se a professora simplesmente não está familiarizada com crises de ausência, ela pode reclamar que a criança não está prestando atenção, estar ignorando a aula ou parecer estar sonhando.

 

Fora da sala de aula, os sintomas da criança podem afetar a habilidade de se concentrar quando ela estiver praticando um esporte ou fazendo lição de casa. Os ataques epiléticos também podem interromper a conversa com amigos ou membros da família.

 

Diagnóstico

 

O médico irá começar lhe pedindo que descreva os sintomas de seu filho, incluindo com que freqüência os sintomas acontecem e quanto tempo eles duram. Ele também irá rever a história clínica de seu filho, especialmente qualquer história de trauma durante e após o nascimento, lesões graves à cabeça ou infecções que envolveram o cérebro, como encefalites ou meningites. O médico também irá perguntar se qualquer outro membro da sua família teve sintomas semelhantes ou recebeu tratamento para qualquer tipo de epilepsia.

 

Ele então fará um exame físico e neurológico completo de seu filho. Este exame pode ser seguido de exames de sangue rotineiros para checar por doenças clínicas comuns que possa imitar a epilepsia ou gatilhos de ataques epiléticos. Na maioria dos casos, os resultados do exame físico de seu filho e os exames de sangue serão normais.

 

Como um passo final no processo diagnóstico, o médico pode solicitar um eletroencefalograma (o EEG). Um EEG é um teste indolor que mostra a atividade elétrica no cérebro de seu filho e o traduz em uma série de padrões impressos. Em muitas crianças com ausência, o EEG mostra uma combinação específica de onda que confirma o diagnóstico. Em alguns casos, o médico pode solicitar também uma Tomografia Computadorizada de Crânio ou uma Imagem de Ressonância Magnética (IRM) do cérebro de seu filho para procurar um tumor ou outra anormalidade. Isto pode ser feito se seu filho tiver um ou mais dos problemas seguintes: ataques epiléticos prolongados, um padrão incomum de sintomas, resultados anormais no exame físico ou neurológico ou teve uma condição, como trauma ao nascimento, trauma de crânio, encefalites ou meningites, que o colocaria em maior risco de crises de ausência.

 

Prevenção

 

As crises de ausência não podem ser prevenidas porque a maioria dos casos não tem causa conhecida.

 

Tratamento

 

Se sua criança tiver crises de ausência, o médico tratará a condição com medicamentos, como o Ethosuximide (Zarontin), o Lamotrigine (Lamictal) ou ácido Valpróico (Depakene, Depakote). O propósito destes medicamentos é controlar o número de ataques epiléticos de seu filho, assim ele pode alcançar seu pleno potencial na escola e em casa. Uma vez seu filho comece a tomar um remédio antiepilético, o tratamento normalmente continua durante pelo menos dois anos.

 

Qual médico procurar?

 

Procure o pediatra de seu filho ou o clínico geral se você notar que seu filho tem ficado desatento, tem tido períodos breves de sono profundo enquanto brinca ou outros comportamentos que possam ser sintomas de crises de ausência.

 

Se a professora de seu filho reclama que ele não está prestando atenção, fica desligado ou está sempre “no mundo da lua”, pergunte a ela se seu filho apresenta outros sintomas de crises de ausência. Por exemplo, sua criança encara o quadro negro como se fitasse o vazio, pisca repetidamente ou estremece enquanto sonha? Peça à professora para escrever uma descrição detalhada dos sintomas de seu filho, inclusive uma estimativa de quanto tempo cada episódio dura e o número de episódios por dia. Uma vez você tenha esta descrição, confira para ver se você nota quaisquer destes mesmos comportamentos quando sua criança estiver em casa. Então procure o médico/pediatra para discutir a situação. Um exame oftalmológico (oculista) também é recomendado.

 

Prognóstico

 

O prognóstico é muito bom. A maioria das crianças com crises de ausência supera a condição eventualmente sem complicações quando chegam à adolescência. Com tratamento adequado, a criança pode ter uma vida normal na escola e em casa. Na maioria dos casos, não há nenhum efeito a longo prazo no desenvolvimento do cérebro, função cerebral ou inteligência.

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Publicado por

 Informedicals Policlin

 

DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA MÉDICA – HOSPITAL POLICLIN

 

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Editor: Dr. Mario César Prudente Leite