CONSULTOR MÉDICO DO HOSPITAL POLICLIN                                                                               042

 

Câncer Uterino

 

Introdução

 

O câncer uterino é o câncer mais comum dos órgãos genitais femininos e responde por 13 por cento de todos os cânceres nas mulheres. Há dois pontos distintos dentro do útero onde o câncer pode se originar: o endométrio e a parede uterina.

 

·       Câncer endometrial. O Endométrio é o revestimento interno do útero; o tipo mais comum de câncer uterino, chamado câncer endometrial, acontece neste lugar. Sua causa ainda precisa ser entendida completamente. A maioria dos cânceres endometriais é câncer de células glandulares (que produzem secreção) chamados de adenocarcinomas. As mulheres afetadas na maioria encontram-se entre as idades de 50 e 65 anos. Os níveis altos de estrogênio (que não é um perigo por si só), representa um risco para o câncer endometrial quando não é compensado pelo hormônio progesterona. Com a diminuição dos níveis de progesterona depois da menopausa, as mulheres pós-menopausa ficam particularmente em risco. Outras condições associadas com o nível alto de estrogênio incluem a obesidade, uma história de infertilidade, terapia de reposição hormonal com estrogênio por um período longo (por exemplo, no tratamento da osteoporose). Mulheres com pressão alta e diabetes também podem estar sob risco de câncer endometrial, como também aquelas em uso de tamoxifeno para o tratamento do câncer de mama.

·       Sarcoma uterino. A composição da parede uterina é de tecido conjuntivo da mesma forma que os músculos, a gordura, os ossos e o tecido fibroso. Os sarcomas são cânceres que começam neste tipo de tecido. O Sarcoma Uterino é raro, constituindo entre 2 e 4 por cento de todos os cânceres do útero. Sua causa é desconhecida, ocorrendo freqüentemente nas mulheres de meia-idade e idosas. As mulheres que sofreram radiação pélvica para o tratamento de outros tipos de cânceres têm um risco aumentado. Mulheres afro-americanas parecem ter um risco particular para um tipo de sarcoma uterino, o leiomiosarcoma. A razão para isto é desconhecida.

·       Condições benignas. Todos os tumores e crescimentos anormais do útero são malignos? Não. Os miomas são tumores comuns (não-cancerosos) geralmente benignos encontrados em mulheres por volta dos 40 anos. O tecido endometrial que cresce no lado de fora do útero, uma condição benigna chamada endometriose, pode acontecer em mulheres (que em geral ainda não engravidaram) por volta dos trinta anos de idade. A endometriose pode causar sintomas e pode requerer tratamento, mas não conduz ao câncer. A Hiperplasia Endometrial, um aumento no número de células que revestem o útero, também é benigna e pode evoluir para o câncer uterino.

 

Quadro Clínico

 

O sintoma crucial para todos os cânceres uterinos é a hemorragia anormal: sendo a primeira reclamação de 90 por cento de mulheres diagnosticados com câncer endometrial e 85 por cento de mulheres pós-menopausa diagnosticadas com sarcoma uterino. Para mulheres mais jovens, a hemorragia anormal pode incluir períodos menstruais mais volumosos, sangramento entre os períodos e sangramento após uma relação sexual. Para mulheres mais velhas, qualquer hemorragia que acontece seis meses depois do começo da menopausa pode ser uma preocupação. A hemorragia anormal no começo da menopausa também deve ser informada ao ginecologista.

 

A dor pode aparecer na época do diagnóstico inicial do sarcoma uterino, geralmente sendo o motivo da consulta; embora isto só acontece em um décimo dos casos. Um “caroço” palpável (que você pode sentir quando palpa o abdome) pode acompanhar a dor. Como o sarcoma é uma causa muito rara destes sintomas, é prudente consultar o ginecologista sempre que a dor acontecer durante a micção (urina), relação sexual, ou na área pélvica em geral.

 

As secreções vaginais anormais, sem sangue visível, geralmente são sinais de infecção ou outra condição benigna, que também podem ser, ainda que raramente, uma indicação de sarcoma uterino.

 

Diagnóstico

 

Atualmente não há nenhum exame de rotina para detectar o câncer uterino em mulheres sem sintomas. Se você tiver sinais e sintomas de câncer uterino, seu médico provavelmente irá encaminhá-la a um ginecologista ou oncologista, médicos que se especializaram em cânceres do sistema reprodutor feminino. Eles irão avaliar sua história clínica e irão fazer um exame físico geral, com atenção especial para a área pélvica. O exame de Papanicolau, feito a partir de uma amostra das células do colo do útero e região superior da vagina, é executado freqüentemente neste momento. Porém, seus resultados revelarão somente cânceres uterinos que esparramaram para fora do útero.

 

Quando indicado, seu médico colherá uma amostra de tecido endometrial para testar. A Biópsia endometrial pode ser executada no consultório do ginecologista/oncologista. Durante este procedimento, o médico aspira uma pequena amostra de tecido por um tubo muito fino inserido pelo colo no útero. Uma sensação de “estalido” é comum durante este procedimento. Um patologista examinará a amostra à procura células cancerosas.

 

Se um diagnóstico claro não for possível pela biópsia, o médico pode fazer uma dilatação e curetagem (Curetagem de prova). Neste procedimento, executado com a paciente internada, o colo do útero é dilatado e o tecido é raspado de dentro do útero. As pacientes são submetidas à anestesia geral ou sedação. O sangramento, que pode persistir por alguns dias, é comum após este procedimento; porém, poucas mulheres reclamam de desconforto importante. Um histeroscopia que permite ao médico ver dentro do útero, pode acompanhar a curetagem de prova.

 

Radiografias também podem ser usadas para descobrir a presença de câncer no útero. Na ultra-sonografia transvaginal, um transdutor é inserido na vagina, emitindo ondas sonoras que realçam o tecido uterino. As imagens criadas ajudam a localizar células cancerosas. O exame é indolor. Durante um ultra-histerosonografia, um tipo específico de ultra-som transvaginal, uma solução salina é infundida por um cateter no útero, realçando qualquer anormalidade mais claramente.

 

Se o câncer for confirmado, o próximo passo é determinar se ele se espalhou para fora do útero e para onde. Normalmente são solicitados exames de sangue e de imagem de rotina, como uma Tomografia Computadorizada de Abdome e Radiografias do tórax.

 

Prevenção

 

Há muita coisa para se entender as causas do câncer uterino; com isso, muito se terá que aprender na hora de preveni-lo. A combinação de uma dieta saudável (particularmente com baixo teor de sal e gordura animal) e exercícios para se controlar o peso e a pressão sanguínea, mesmo não dando nenhuma garantia, sempre é um bom começo.

 

Alguma pesquisa sugeriu que o uso de contraceptivos orais que combinam estrogênio e progesterona poderiam reduzir o risco de uma mulher ter câncer uterino. Para mulheres que fazem terapia de reposição hormonal com estrogênio, seria bom perguntar ao médico pela necessidade de exames regulares.

 

Os benefícios do tamoxifeno para o tratamento de câncer de mama e da radioterapia pélvica para outros tratamentos de câncer excedem os riscos de desenvolver câncer uterino de longe. Se qualquer um destes fatores de risco (ou qualquer outros, como diabete e obesidade) se aplicarem a você, pergunte seu médico pela necessidade de exames regulares.

 

Tratamento

 

Os tratamentos para o câncer uterino incluem a cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia, e a terapia hormonal.

 

·       Cirurgia: Se você tem câncer uterino, você provavelmente irá se submeter à alguma forma de cirurgia. Qual procedimento será usado dependerá em grande parte da fase, tipo, e grau do câncer - quanto mais localizado e menos invasivo o câncer, menos agressiva será a cirurgia. A idade é outra consideração; por exemplo, em mulheres mais jovens em fase reprodutiva, todo esforço será feito para se evitar a remoção de ambos os ovários (ooforectomia) e o útero (histerectomia). O estado geral de saúde também pode ser um fator importante a considerar. As complicações são raras, mas resultados de infertilidade pela ooforectomia e histerectomia podem ocorrer.

·       Radioterapia: A radioterapia também depende da fase, tipo, e grau do câncer. O tratamento exigido para cada caso recai sobre o tamanho da área acometida (se o câncer se espalhou além da parede uterina, por exemplo). Há efeitos colaterais após a radioterapia como fadiga, irritação da pele e diarréia, mas logo eles desaparecem depois da conclusão do tratamento.

·       Quimioterapia. A quimioterapia, o uso de drogas para matar as células do câncer, geralmente é usada somente em cânceres uterinos que se esparramaram além do útero. Quais drogas serão usadas depende das peculiaridades do câncer e ainda estão sendo avaliados estudos de tratamento.

·       Terapia Hormonal. Um dos objetivos da terapia hormonal é bloquear as células do câncer de captar os hormônios que elas precisam para crescer. No câncer uterino, ela envolve pílulas de progesterona e às vezes, em casos de doença avançada ou recorrente, o tamoxifeno.

 

Qual médico procurar?

 

Embora a hemorragia vaginal anormal seja freqüentemente somente um sinal de infecção ou de alguma outra condição benigna, é vital consultar o ginecologista imediatamente. Este sintoma quase sempre acompanha o câncer uterino.

 

Prognóstico

 

O estadiamento é usado para determinar a extensão do câncer de um paciente. As taxas de sobrevida mais altas são associadas com fases mais precoces. O seguinte estadiamento se aplica ao câncer uterino:

 

·       Estágio I: O câncer é limitado ao corpo do útero.

·       Estágio II: O câncer espalhou do corpo do útero até o colo uterino.

·       Estágio III: O câncer, espalhado além do útero, ainda é limitado à região pélvica.

·       Estágio IV: O câncer espalhou à superfície interna da bexiga urinária ou reto. Esta fase também pode indicar que o câncer passou aos linfonodos na virilha, ou em órgãos distantes do útero, como os pulmões.

 

O tratamento precoce é fundamental. Mais de três quartos dos cânceres endometriais estão limitados ao útero na época do diagnóstico; um sinal de bom prognóstico. Em geral, 80 por cento das mulheres com câncer uterino sobrevivem cinco anos ou mais, com muitas completamente curadas. Porém, é importante saber que, até mesmo no melhor de casos, há uma possibilidade de retorno. O acompanhamento e a vigilância são necessários com todo o tratamento.

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Publicado por

 Informedicals Policlin

 

DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA MÉDICA – HOSPITAL POLICLIN

 

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Editor: Dr. Mario César Prudente Leite