CONSULTOR MÉDICO DO HOSPITAL POLICLIN                                                                               032

 

Câncer Colo-Retal

 

Introdução

 

O Câncer colo-retal é um tumor maligno do cólon, reto ou ambos, que juntos, compõem o intestino grosso. Os cólons recebem as sobras do alimento digerido do intestino delgado e os elimina na forma de fezes pelo ânus. Quando as células que revestem o cólon e reto começam a crescer anormal e descontroladamente, um tumor se desenvolve. Tumores colorretais começam como pólipos, pequenas elevações na superfície do lado interno do intestino grosso. Os pólipos que não são eventualmente retirados podem se tornar cancerosos, penetrar pela parede do cólon ou reto e se esparramar para outras áreas.

 

O Câncer colo-retal é um tipo comum de câncer. As estatísticas da Sociedade Americana de Combate ao Câncer revelam que foram diagnosticados 148,300 novos casos de câncer colorretal em 2002, e aproximadamente 56,600 pessoas nos Estados Unidos morrerão desta doença nesse ano. É a segunda maior causa de mortes relacionadas ao câncer naquele país. As taxas de câncer colo-retal crescem com a idade.

 

Fatores de risco

 

Fatores que aumentam o risco de desenvolver o câncer colo-retal incluem:

 

·       História familiar. A Hereditariedade pode fazer um papel de até 10 por cento de todos os casos de câncer colo-retal. Foram relacionados defeitos genéticos a várias síndromes de câncer que ocorrem em famílias específicas e fazem os membros familiares mais prováveis de desenvolver pólipos e câncer color-etal.

·       Uma história pessoal da doença (já ter tido câncer) aumenta o risco de câncer colorretal.

·       Uma história pessoal de pólipos adenomatosos também aumenta o risco.

·       Doença inflamatória dos intestinos (colites ulcerativas crônicas, doença de Crohn). Quanto mais tempo e quanto mais severamente o cólon permanece inflamado,  maior o risco de câncer.

·       Dieta pobre. Dietas com baixa quantidade de fibras e ricas em gordura, especialmente a gordura saturada, aumentam o risco de câncer colo-retal.

·       Um estilo de vida sedentário. Entre as pessoas que se exercitam regularmente, o risco de câncer de cólon fica reduzido á metade. Até mesmo a caminhada rotineira pode reduzir o risco de uma pessoa desenvolver um câncer de cólon.

·       Raça. Diferentes grupos étnicos e raciais têm taxas muito diferentes de câncer colorretal. A incidência é mais alta entre nativos do Alasca e mais baixa entre os hispânicos e Filipinos. Entre brancos e negros a incidência cai á metade.

 

Quadro Clínico

 

Os pólipos pré-cancerosos e o câncer colo-retal, geralmente não causam sintomas no início. Em parte, isto confirma a recomendação de que fazer exames regulares é importante para descobrir pólipos pré-cancerosos e câncer do cólon em uma fase precoce. O câncer mais avançado pode causar quaisquer dos seguintes sintomas:

 

·       Uma mudança nos hábitos intestinais

·       Diarréia ou constipação

·       Sangue nas fezes (vermelho vivo, preto ou muito escuro)

·       Fezes afiladas (com a espessura de um lápis)

·       Inchaço, empachamento ou dores de barriga,

·       Dores provenientes de gases freqüentes

·       Uma  sensação que o intestino não esvazia completamente

·       Perda de peso sem dieta

·       Fadiga constante e cansaço

 

Diagnóstico

 

O Câncer colo-retal normalmente é diagnosticado por uma sigmoidoscopia ou colonoscopia. Estes exames podem encontrar um pólipo maligno ou um tumor no cólon ou no reto. Junto com um enema opaco (RX contrastado do intestino grosso), estes exames provêem informação sobre o tamanho e local do tumor. Às vezes, se o câncer se espalhou fora do cólon ou do reto, uma biópsia daquela área confirma o diagnóstico de câncer colo-retal.

 

Também podem ser necessários outros testes:

 

·       Uma tomografia computadorizada abdominal (a CT) pode dar informação adicional.

·       Uma ultra-sonografia endo-retal pode ser útil no câncer de reto.

·       Serão feitos um exame físico completo e uma radiografia do tórax após o câncer ter sido diagnosticado para ver se ele se espalhou.

·       Exames de sangue para avaliarão da função do fígado e para medir os níveis de antígeno carcinoembriogênico (CEA). Esta substância às vezes está mais alta que o normal em pessoas com câncer colo-retal.

 

Prevenção

 

A melhor defesa contra o câncer colo-retal é o exame regular. São estipulados testes para achar pólipos benignos (crescimentos pré-cancerosos) que possam ser removidos antes deles se tornarem malignos e encontrar um câncer em uma fase precoce, quando é mais fácil de curar. A Sociedade Americana de Combate ao Câncer recomenda que todos os adultos comecem a se precaver do câncer colo-retal por volta dos 50 anos de idade. Pessoas com um risco mais alto (veja Fatores de Risco) devem começar a fazer exames mais cedo. Os métodos para detectar recomendados incluem:

 

·       Toque retal. Começa aos 40 anos a cada 2 anos e depois, anualmente, após os 50. Não deve ser usado como único método de triagem.

·       Exame de sangue oculto nas fezes. Começa com 50 anos de idade, sendo feito anualmente.

·       Sigmoidoscopia. A cada cinco anos, começando com 50 anos de idade, a menos que você faça uma colonoscopia,

·       Colonoscopia. Como um teste de triagem rotineiro a cada 10 anos, começando com 50 anos de idade, a menos que você tenha um sigmoidoscopia a cada cinco anos,

·       Enema opaco. Não é o método preferido de triagem de rotina, mas pode ser executado em vez da colonoscopia ou da sigmoidoscopia a cada cinco anos se estes métodos não forem disponíveis.

 

Além destes testes de triagem, outros métodos podem reduzir o risco de uma pessoa desenvolver o câncer de cólon. Os exercícios diários e uma dieta com baixo teor de gorduras, especialmente as saturadas, e rica em frutas, legumes e comidas com grão inteiro podem reduzir seu risco de câncer colo-retal. Além disso, alguns estudos científicos sugerem que a aspirina junto com algumas vitaminas e sais minerais possa reduzir o risco de uma pessoa ter câncer de cólon. Isto deve ser discutido com seu médico para ver se eles são apropriados para você.

 

Tratamento

 

A cirurgia é o método primário de tratamento para o câncer colo-retal. A extensão da cirurgia e a necessidade de tratamento adicional (com quimioterapia ou radioterapia) depende da fase da doença e se ela está no cólon ou no reto.

 

Há três sistemas de classificação ligeiramente diferentes para o câncer de cólon: os Duques, Astler-Coller e AJC/TNM. Abaixo listamos as fases no sistema AJC/TNM e as recomendações de tratamento além da cirurgia.

 

·       Estágio 0. O câncer está limitado à camada interna do cólon o do reto. Nenhum tratamento é recomendado depois de cirurgia ou polipectomia (retirada do pólipo).

·       Estágio I. O câncer cresceu pela parede interna do reto ou do cólon para as camadas subjacentes, mas não perfurou a parede do cólon.   Normalmente nenhum tratamento é recomendado depois da cirurgia.

·       Estágio II. O câncer cresceu completamente pelo cólon ou pela parede retal, mas não se esparramou para os linfonodos (“ingüas” para onde os tumores se espalham) vizinhos. A quimioterapia pode ser feita depois da cirurgia em alguns casos de câncer do cólon. Para o câncer retal, a quimioterapia e a radioterapia podem ser feitas antes ou depois da cirurgia.

·       Estágio III. O câncer se esparramou para os linfonodos vizinhos mas não para outras partes do corpo. Para o câncer do cólon, a quimioterapia é recomendada freqüentemente depois da cirurgia. Para o câncer retal, a quimioterapia e a radioterapia normalmente são aplicadas tanto antes como depois da cirurgia.

·       Estágio IV. O câncer se esparramou para outros órgãos, geralmente para o fígado ou para os pulmões. O tratamento depois da cirurgia consiste na quimioterapia, na radioterapia ou ambas para aliviar os sintomas do câncer avançado e, no câncer retal, prevenir o bloqueio do reto. Ocasionalmente, as metástases podem ser removidas cirurgicamente.

 

Para o câncer de cólon, a cirurgia remove a área maligna do cólon com algum tecido normal circunvizinho e os linfonodos ao redor. São reconectadas as extremidades cortadas do cólon de forma que o cólon possa funcionar normalmente. Ocasionalmente, podem ser removidos cânceres precoces por colonoscopia. A cirurgia de câncer de cólon normalmente não requer uma colostomia, a menos seja feita em cirurgia de emergência, onde ela será feita e ficará temporariamente. O tempo de recuperação varia, dependendo de vários fatores, inclusive a idade da pessoa, sua saúde geral, e a extensão da cirurgia.

Para o câncer de reto, o tratamento combina freqüentemente cirurgia com quimioterapia e radioterapia, dependendo da fase da doença. O tratamento pode ser feito antes ou depois da cirurgia.

 

Os procedimentos cirúrgicos usados para o câncer retal, dependem do local e da fase do câncer, e incluem:

 

·       Polipectomia. Procedimento que remove pólipos na presença ou não de tumores (feita durante uma colonoscopia).

·       Excisão local. Procedimento que remove cânceres superficiais e algum tecido vizinho da camada interna do reto, freqüentemente feito através do canal anal.

·       Resseção anterior baixa. Procedimento que é usado para a maioria dos cânceres retais, exceto quando o tumor está muito próximo do esfíncter anal (músculo de forma circular que controla o ânus). São reconectados o cólon e reto de forma que o ânus seja poupado.

·       Resseção abdomino-perineal. Esta cirurgia trata cânceres na parte mais baixa do reto. Uma vez a área maligna seja afastada, uma colostomia é executada para a drenagem das fezes por uma abertura na parede abdominal.

·       Exenteração pélvica. Cirurgia que remove o reto, a bexiga, a próstata, o útero e outros órgãos próximos, se o câncer se esparramou para um deles. São necessárias uma colostomia e uma drenagem para a urina. Este tipo de cirurgia agressiva é raramente necessária.

 

Qual procurar o médico?

 

Procure um cirurgião geral ou gastrocirurgião se você tiver quaisquer dos sinais ou sintomas de câncer colo-retal.

 

Prognóstico

 

O prognóstico depende da fase da doença. A taxa de sobrevida de cinco anos é de 100 por cento para fase 0 da doença e salta para aproximadamente 5 por cento na fase IV  da doença.

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Publicado por

 Informedicals Policlin

 

DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA MÉDICA – HOSPITAL POLICLIN

 

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Editor: Dr. Mario César Prudente Leite