CONSULTOR MÉDICO DO HOSPITAL POLICLIN                                                                               004

 

Síndrome da Depressão Pós-Trauma

 

  • Introdução
  • Quadro Clínico
  • Diagnóstico.
  • Prevenção.
  • Tratamento.
  • Qual médico procurar?
  • Prognóstico

 

Introdução

 

A Síndrome de Tensão Pós Traumática (STPT) caracteriza-se por uma série de sintomas experimentados por pessoas que se submeteram às situações de stress extremo após um  evento assustador. Este trauma pode vir de qualquer situação na qual a pessoa tenha experimentado uma lesão corporal de fato, foi ameaçada de morte, testemunhou a morte ou trauma de outra pessoa, etc.

 

Por definição, o trauma tem que causar uma experiência de intenso medo, horror ou desamparo.

Os fatores estressantes, precipitantes da STPT, em geral incluem:

 

  • Desastres naturais (enchentes, desabamentos, incêndios, etc.),
  • Roubos, assaltos e tiroteios,
  • Combate militar,
  • Estupro, incesto e abuso de criança,
  • Situações envolvendo reféns e seqüestros,
  • Tortura política,
  • Prisão em um campo de concentração,
  • Acidentes graves de automóvel ou desastres aéreos,
  • Acidentes no trabalho,
  • Ser forçado a fugir como um refugiado.

 

Na STPT aguda, os sintomas podem desenvolver-se dentro do primeiro ao terceiro mês depois do evento traumático; na STPT com início tardio, os sintomas podem não aparecer até seis meses após.

 

A maioria das pessoas que são expostas a um trauma terrível não desenvolve STPT, e os médicos não têm, contudo, determinado por que isto ocorre. Além disso, ao contrário de que a pessoa possa imaginar, a severidade do evento stress não determina a severidade dos sintomas. Embora a pessoa esteja freqüentemente certa de uma conexão entre a tensão e os sintomas, ainda não está claro o que faz algumas pessoas serem mais vulneráveis à tensão que outras.

 

Certos indivíduos podem ter um risco mais alto de desenvolverem a STPT por causa de uma predisposição genética (herança) e ser mais sensível à tensão ou reagir mais intensamente às situações estressantes. Alguns também podem ter uma tendência maior para rever mentalmente eventos estressantes, ou permitir que recordações dolorosas venham à tona. Outros fatores importantes que afetam a chance ou não de uma pessoa desenvolver sintomas de STPT são a personalidade do indivíduo, as experiências vividas de outros episódios de trauma (especialmente na infância), apoio social - ter um bom círculo de amizade e afetividade; e apoio familiar.

 

Pessoas com STPT são mais prováveis que outras de ter um distúrbio de personalidade. Também há, nestas pessoas, uma incidência aumentada de depressão e abuso de substâncias químicas (álcool e drogas).

 

Acredita-se que 1 a 3 por cento das pessoas no mundo todo sofram de STPT, com um adicional de 5 a 15 por cento que têm formas mais leves da doença. Embora a STPT possa desenvolver-se em vítimas de trauma de qualquer idade, este distúrbio tende a acometer os adultos jovens mais freqüentemente que qualquer outro grupo. O risco de desenvolver a STPT também é mais alto que a média em pessoas pobres, descasados, solteiros, viúvos, divorciados ou socialmente isolados.

 

Quadro Clínico

 

·         Re-experimentar o stress traumático através de pensamentos repetitivos, pesadelos e pensamentos não desejados que interferem em sua vida cotidiana;

  • Ter ilusões ou alucinações que o evento está acontecendo novamente;

·         Ansiedade;

·         Evitar lugares ou pessoas que ativem as recordações do trauma;

·         Evitar discussões referentes ao trauma;

  • Apresentar sinais de estimulação aumentada – hiper-irritação, ter explosões de raiva, ter dificuldade para dormir e dificuldades de se concentrar, manter-se hipervigilante (sempre em guarda contra o perigo) e assustar-se muito facilmente;
  • Sentimento de grande ansiedade e angústia psicológica quando exposto às pessoas, objetos ou situações que ativam recordações do trauma;
  • Experimentar sinais físicos de ansiedade e angústia (falta de ar, palidez, vertigem, palpitações, sudorese, tremores, etc.) quando exposto às pessoas, objetos ou situações que lembrem o trauma;
  • Não poder se lembrar de detalhes importantes sobre o trauma;
  • Sentir-se emocionalmente entorpecido (incapaz de sofrer emoções normais, como amor, ódio, raiva, etc.);
  • Sentir-se isolado ou desconectado de outras pessoas;
  • Acreditar que a vida será mais curta que originalmente esperava, ter medo de morrer cedo;
  • Perder o interesse em atividades que antes eram agradáveis;

 

Os sintomas de SDPT têm que durar durante pelo menos um mês e têm que afetar seriamente a habilidade do indivíduo para viver normalmente em casa, no trabalho ou em situações sociais.

 

Depois que a pessoa descreve seus atuais sintomas, o médico.

 

Diagnóstico

 

O psiquiatra (médico que trata doença mental) irá perguntar pelos tipos de trauma que ela experimentou durante sua vida, além daqueles que aconteceram quando ela era uma criança. O médico também revisará seu passado clínico e sua história psiquiátrica, além de qualquer história de abuso de álcool ou outras drogas. Isto porque o abuso de drogas e a retirada da droga às vezes podem produzir sintomas que imitam a STPT.

 

Considerando que seu psiquiatra seja um médico completamente qualificado, ele também fará um exame físico breve. Se há qualquer evidência que uma doença médica ou uma lesão cerebral poderia ser responsável por seus sintomas, ele irá encaminhar o paciente para uma avaliação com um clínico geral ou um neurologista conforme o caso.

 

Prevenção

 

Acredita-se que pessoas que se submeteram à psicoterapia após o evento traumático têm um risco mais baixo de desenvolver a STPT que aqueles que não fizeram terapia. Por isto, os médicos recomendam que qualquer um que experimentou um trauma severo deva procurar a ajuda de um psicólogo qualificado o mais cedo possível.

 

Tratamento

 

O Tratamento provavelmente incluirá uma combinação de medicamentos e psicoterapia.

 

Medicamentos

 

Como as pessoas respondem à tensão severa de muitas maneiras diferentes, o médico pode tentar uma variedade de medicamentos, dependendo de quais sintomas forem mais proeminentes. Geralmente são prescritas várias classes de medicamentos:

 

  • Antidepressivos –Os antidepressivos que tratam a STPT incluem:
    • Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS): como a Fluoxetina (Prozac ®), a Sertralina (Zoloft ®) e Paroxetina (Pondera ®), e
    • Antidepressivos Tricíclicos: São medicamentos de segunda escolha e são usados se existe alguma restrição aos IRSSs ou eles não são efetivos. São representados pela Nortriptilina (Pamelor ®), a Clomipramina e a Imipramina (Tofranil ®). Em alguns casos, quando um paciente tiver só uma resposta parcial ao tratamento com um antidepressivo, o médico poderá acrscentar o divalproex (Depakene â), uma droga que estabiliza o humor e ajuda a aumentar a atividade do antidepressivo;

 

  • AnsiolíticosSão remédios que trazem alívio da ansiedade presentes na STPT de forma confiável. Podem levar à tolerância (deixar de funcionar porque o corpo fica acostumado com ele) e à dependência (ter dificuldade de ficar sem o remédio). A interrupção do uso deve ser gradual, pelo risco de reações de retirada. Este grupo inclui o diazepam (Valium®, Diempax®), o Alprazolam (Apraz®), o bromazepan (Lexotan â) e o lorazepam (Lorax â), dentre outros.

 

Psicoterapia – A psicoterapia é indicada a pacientes bem orientados para reconheceram a origem de seus sintomas como resultantes de recordações traumáticas na tentativa de ajudá-los a controlar suas próprias reações psicológicas e físicas frente às lembranças de seu trauma.  

 

Qual médico procurar?

 

Se a pessoa foi exposta a um stress traumático que possa ter ativado a STPT, ela deve consultar um psiquiatra o mais cedo possível. Ele pode encaminhar o paciente a um psicólogo qualificado que o ajudará a identificar suas reações ao trauma e a lidar com eles de um modo saudável.

 

Prognóstico

 

Por definição, os sintomas da STPT duram mais de um mês. Na realidade, porém, a STPT sem tratamento é freqüentemente um problema crônico cujos sintomas podem se interromper após anos. Dos prisioneiros da segunda guerra, 29 por cento desenvolveram STPT após o final da guerra e tiveram sintomas por mais de 40 anos.

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Publicado por

 Informedicals Policlin

 

DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA MÉDICA – HOSPITAL POLICLIN

 

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Editor: Dr. Mario César Prudente Leite